8 de dez. de 2009

Marina recebe prêmio por defesa do meio ambiente

PSol aprova resolução para se afastar de Marina Silva

Tales Faria, iG Brasília

O Psol aprovou neste final de semana uma resolução a qual ninguém deu atenção, mas que mexe no jogo da sucessão presidencial. O texto, elaborado por pressão do grupo ligado à da ex-senadora Heloísa Helena (AL), que concorreu a presidente da República em 2006, praticamente inviabiliza o acordo com o PV em torno da candidatura presidencial da senadora Marina Silva.

A resolução admite "prosseguir nas discussões com o PV a respeito de um possível acordo eleitoral para a apresentação em conjunto da candidatura de Marina Silva". Mas, de saída, impõe uma condição difícil de ser cumprida por várias alas do PV: ter "como norte orientador e definidor deste debate o programa e a posição em relação aos governos PT e PSDB", dentro de uma linha de "oposição programática de esquerda ao governo Lula, PSDB, DEM e ao neoliberalismo".

Boa parte do PV, liderada pelo deputado Sarney Filho, defende o apoio ao governo Lula. A própria Marina já disse que sua candidatura não pode ser vista como oposição ao governo. A turma que sobra no partido é a ala liderada pelo deputado Fernando Gabeira, que gostaria de ter o apoio do PSDB e do DEM, no Rio, à sua candidatura para governador ou para o Senado. Em suma: há muito pouca gente no PV que aceitaria a proposta do Psol de "oposição programática de esquerda" a Lula, PSDB e DEM.

Para dificultar ainda mais a aliança com Marina Silva a resolução determina ainda que os militantes devem "iniciar imediatamente o processo de avaliações e debates acerca do lançamento de uma candidatura própria com maior capacidade de unificar o partido" e aproximarem-se de setores sociais que não morrem de amores pelo PV, "como o MST, entidades sindicais e populares e partidos políticos que compuseram o arco de alianças da nossa candidatura em 2006 – PSTU e PCB".

Heloísa não trabalhou pela resolução visando sua candidatura à Presidência. Foi só para dificultar a aliança com o PV, pois ela própria já está decidida por concorrer ao Senado. Plínio de Arruda Sampaio (SP) é visto como o possível candidato do partido ao Palácio do Planalto, ou um outro nome mais ligado à ex-senadora.

O ex-deputado Milton Temer, que foi candidato a governador do Rio pelo PSol e é considerado um dos aliados de Heloísa Helena no partido, festejou a decisão: "esta resolução é um passo importantíssimo para o lançamento da candidatura própria. Se Marina aceitasse seus termos, se filiaria ao Psol, não ao PV, que é um partido à direita do PT e até do PSDB. Aqui no Rio, por exemplo, o Fernando Gabeira defende a ocupação do Haiti pelo Brasil, coisa que condenamos explicitamente na resolução."

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/12/08/psol+aprova+resolucao+para+se+afastar+de+marina+silva+9227625.html

A POLÍTICA AMARRADA AO CAIXA 2

Revista Carta Capital

De como a administração pública brasileira está afundada na lógica do mercado de voto.

OPERAÇÃO CAIXA de Pandora, desencadeada em torno de tenebrosas transações no governo do Distrito Federal, é mais uma prova de como a administração pública brasileira está afundada na lógica do mercado do voto.

As eleições nas sociedades de massa apoiadas,mais e mais, na incorporação dos cidadãos ao processo democrático, exigem recursos. Isso tornou o poder econômico a força motriz da competição eleitoral. Isso tem arrastado interesses legítimos para o ralo do caixa 2.

"Tem cara de caixa 2", comentou o ministro Ayres Britto, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ao ver as imagens do governador de Brasília, José Roberto Arruda, recebendo um pacote de notas. Dinheiro que, segundo o advogado do governador, era destinado à compra de panetones para distribuir à população pobre.

Nesse episódio, a Polícia Federal gravou muitas imagens e conversas suspeitas. Flagrantes que revelam indícios de vários crimes.

Independentemente das fortunas que, à custa dos cofres públicos, são geradas por negociações escusas entre empresários e governantes, o pretexto é a acumulação de recursos para sustentar campanhas eleitorais que, a cada rodada, tornam-se mais dispendiosas.

Nem tudo, é claro, vai para a política.o dinheiro não contabilizado nem sempre passa da mão por onde passa. E isso vem de longe.

O paulista Ademar de Barros foi o primeiro grande vulto da política brasileira a ter o nome associado à formação de caixa 2. A famosa "caixinha do Ademar". Juscelino Kubitschek, no entanto, foi o primeiro a ter revelados alguns segredos do sistema financeiro de campanha. O autor do feito, o pesquisador americano Edward Riedinger, chamou o financiamento de "donativos":

"A maior parte das doações era feita anonimamente (...) as contribuições geralmente implicavam retribuição (...) o doador seria recompensado com alguma doação para cargo público e/ou vantagem pessoal".

Era assim. É assim. E assim Marcos sera. O problema, grave no Valério. Brasil, existe em todo o mun vm entre do. Aqui, sempre que pipoca tantos um escândalo desses, surge a proposta de instituir o financiamento público com simultânea proposta de proibir doações privadas de pessoas físicas e jurídicas. Como o sistema de financiamento público não foi testado, há quem acredite, equivocadamente, que ele seria a fonte de restauração de virtudes que nunca existiram no processo político eleitoral.

Foi assim, em 2005, no escândalo do caixa 2 do PT, armado pelo publicitário Marcos Valério, que criara, em Minas Gerais, o caixa2 para a campanha do tucano Eduardo Azeredo. Esse curioso processo de terceirização do operador foi adotado também pelo governador Arruda. Durval Barbosa, o operador, servira anteriormente ao governador Joaquim Roriz.

Diante de tantos escândalos, como restaurar a confiança da população na política? Ninguém deve se deixar levar pelo desânimo apoiado no fato de que a polícia se impõe à política brasileira.

No caso específico dos problemas gerados pelo processo eleitoral eles só serão sanados com a continuidade do processo eleitoral.

Somente o exercício permanente do voto melhora a qualidade das democracias eleitorais.

FRASE
"Os políticos não estão correspondendo à magnitude da politica. A politica é tão bonita"

Qual o tamanho de Ciro?

Revista ISTOÉ

Partidos disputam passe de deputado cearense para suas chapas nas eleições presidenciais

Octavio Costa e Sérgio Pardellas

Nas pesquisas mais recentes de intenção de voto para a sucessão do presidente Lula, o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE) continua bem cotado. Isolado, seu nome só fica atrás do do governador José Serra e da ministra Dilma Rousseff. Mas, na simulação do Instituto Sensus em que Ciro aparece como candidato em um cenário em que o candidato do PSDB é o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, seu desempenho é ainda melhor. De acordo com a pesquisa, neste momento, Ciro chegaria na dianteira no primeiro turno, bem à frente da dobradinha Dilma-Michel Temer. Portanto, a crer nas pesquisas, o apoio e a companhia de Ciro podem ser valiosos na eleição de 2010.

Para o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, Ciro vale quanto pesa e a razão é simples: “Ciro tem um grande currículo. Foi duas vezes governador do Ceará, ministro da Fazenda, ministro da Integração Social e duas vezes candidato a presidente da República.”

Não por acaso, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), articulou uma estratégia de atuação em conjunto com Ciro com o objetivo de se fortalecer na corrida presidencial de 2010. Os dois, que cultivam boa relação pessoal, têm conversado com frequência. Para Aécio, a aliança com Ciro gera dividendos políticos na medida em que mostra tanto interna como externamente que ele tem condições de agregar mais forças partidárias do que o governador de São Paulo, José Serra.

No caso de uma candidatura de Aécio ao Planalto, a parceria com Ciro lhe renderia um caminhão de votos no Nordeste, onde o deputado é popular.

Já para Lula e Dilma, que fazem de tudo para que Ciro saia do páreo presidencial, a utilidade do parlamentar cearense é outra. Lula pressionou Ciro a transferir o domicílio eleitoral para São Paulo por dois motivos: primeiro porque o PT ainda carece de um nome forte para a candidatura ao Palácio dos Bandeirantes.

E Ciro pode, com o apoio do PT, montar um robusto palanque para Dilma no Estado que é o maior colégio eleitoral do País. Mas, independentemente de qual seja sua escolha, um de seus alvos já é conhecido: José Serra. “Eu comemoro que ele tenha finalmente notado que eu existo. Pois eu, normalmente, só o percebo como um ectoplasma.”

Ciro, na verdade, está diante de uma encruzilhada. Caso saia candidato à Presidência pela terceira vez, enfrentará limitações na campanha, principalmente em relação ao tempo de tevê, já que o seu partido, o PSB, sozinho, tem apenas 1 minuto e 11 segundos diários em cadeia nacional. Ciro diz ter pesquisas internas que demonstram sua viabilidade eleitoral na corrida sucessória ao Planalto. Mas ele sabe que só terá êxito se contar com o apoio de Lula. “Quero que pelo menos ele diga que, além de Dilma, eu também sou um bom nome para dar continuidade ao projeto e avançar mais”, disse em recente entrevista à ISTOÉ. Outra hipótese, mais presente, é a de atender ao desejo do presidente Lula e lançar-se ao governo de São Paulo. Mas também seria um lance perigoso, já que ele corre o risco de ser boicotado pelo próprio PT. Assim, a opção da dobradinha com Aécio Neves, caso este vença a disputa interna no PSDB, mostra-se bem mais razoável. Por isso mesmo, Ciro tem jogado em combinação com o mineiro. Com cheiro de novidade, a chapa Aécio-Ciro teria potencial para empolgar o eleitorado.

Montenegro afirma que apostaria suas fichas na dobradinha Aécio-Ciro: “Essa é uma chapa forte, que soma o Sudeste ao Nordeste.” Mas torce o nariz para a hipótese da candidatura de Ciro ao governo de São Paulo. “Isso é uma forçação de barra, uma candidatura completamente artificial. O melhor para Ciro é ser vice de Aécio”, aconselha o presidente do Ibope, que, nos últimos pleitos, tem acertado em suas previsões.

Aécio diz que terá conversa decisiva com Serra na sexta

Valor Econômico

César Felício, de Belo Horizonte

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), disse ontem que terá uma conversa com o governador paulista José Serra (PSDB) que poderá ser decisiva à escolha do candidato presidencial do partido no próximo ano. Os dois governadores devem viajar juntos ao Piauí, para um seminário do partido sobre infra-estrutura, com a presença do presidente nacional tucano, senador Sérgio Guerra (PE), organizado pelo prefeito de Teresina, o tucano Silvio Mendes.

Aécio, que concorre com Serra em desvantagem nas pesquisas de opinião e na cúpula tucana, tem dado sinais de que pretende desistir da disputa no início de janeiro, caso não se chegue a uma decisão até lá. Ontem, Aécio voltou a demarcar distância de um projeto presidencial.

O governador lançou na convenção estadual do PSDB o vice-governador Antonio Junho Anastasia como seu candidato à sucessão, fechando a porta para a possibilidade de apoiar o ministro das Comunicações, Hélio Costa (PMDB), em uma composição que partiria da premissa da candidatura presidencial de Aécio. O apoio pemedebista agora não poderia mais envolver a cabeça de chapa. "O sentimento que existe no Estado é este que pode ser aferido pela aprovação do governo, pode estimular o PMDB a caminhar conosco", disse o governador, voltando-se para sua base.

"Minas sempre foi minha prioridade absoluta. A partir de janeiro, vou me dedicar integralmente à construção do palanque e rodar todo o Estado", afirmou Aécio em entrevista a jornalistas. Ao discursar, em meio ao coro de "Aécio presidente", o governador iniciou com uma reflexão sobre a política ser "um campo minado, onde os desencontros são mais presentes que os encontros". E permaneceu no tom regional.
"No que depender de mim, o Estado ficará com Anastasia nos próximos anos. É o candidato natural à minha sucessão e na vida política as coisas naturais são as que avançam. Não sei o que o destino me reserva, mas meu maior compromisso é com os mineiros. Quem quer Minas avançando terá uma única opção: o professor Anastasia", disse, para em seguida declarar solidariedade ao senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), com processo aberto pelo STF por suspeita de envolvimento em peculato e lavagem de dinheiro . "Tenho orgulho de ser correligionário dele", disse.

O governador terminou com uma profissão de fé tucana. "Vamos percorrer o Estado, não importa qual seja a minha posição no próximo ano. Sou um privilegiado, o PSDB é o meu ninho, é o meu lugar, é aqui que ficarei para quem sabe um dia possa levar ao Brasil uma mensagem de transformação". Ao discursar como virtual candidato, Anastasia afirmou que seu primeiro compromisso será de "lealdade absoluta" a Aécio.

Estava ladeado pelo presidente da Assembleia Legislativa, Alberto Pinto Coelho (PP) e pelo presidente regional do DEM, deputado Carlos Melles , que disputam uma vaga na chapa majoritária em 2010.

Em São Paulo, o governador José Serra (PSDB), evitou comentar a pesquisa CNI/Ibope divulgada ontem, que o coloca à frente dos demais candidatos na corrida presidencial. Serra diz que é cedo para analisar pesquisas de sondagens de voto para o próximo ano. "Eu não vou comentar. As pesquisas variam ao longo do tempo. Ainda é cedo do ponto de vista da eleição. Então olho com atenção [a pesquisa], mas deixo de lado qualquer comentário", afirmou ele. (Com agências noticiosas)

http://www.valoronline.com.br/?impresso/politica/99/5987671/aecio-diz-que-tera-conversa-decisiva-com-serra-na-sexta