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16 de dez. de 2009

PMDB abre negociação com petistas e tucanos em Minas

O TEMPO

Ministro Hélio Costa mantém diálogo com Aécio Neves e com Patrus Ananias
Rafael Gomes

Após vencer as eleições para a presidência do PMDB em Minas, o deputado federal Antônio Andrade confirmou que o partido vai negociar tanto com o PT como com o PSDB a formação de uma chapa para a disputa do governo do Estado em Minas. No entanto, ele insiste na tese de uma candidatura própria peemedebista, liderada pelo ministro das Comunicações, Hélio Costa, apesar dos outros dois partidos também terem pré-candidaturas já lançadas.

O presidente eleito do PMDB fez questão de deixar aberta a possibilidade tanto de acerto com os petistas quanto com os tucanos, mas revela que muitas conversas vão ocorrer antes da decisão. "O PMDB não tem pressa. Temos o candidato melhor colocado nas pesquisas e o quadro não deve mudar em curto prazo. Vamos conversar ainda, mas sempre pensando na candidatura própria", disse Andrade.

O deputado destacou que terá encontros com os presidentes eleitos do PT e PSDB - Reginaldo Lopes e Nárcio Rodrigues, respectivamente - em Brasília, já que os dois, como ele, são parlamentares da Câmara. Ontem mesmo ele conversou rapidamente com Nárcio, durante uma sessão da Comissão de Orçamento, e disse que deve se encontrar com Reginaldo Lopes ainda nesta semana. "Estamos com portas abertas para todos. Até para aqueles que poderão ser nossos adversários", completou.

Se o presidente estadual mostra confiança na candidatura do PMDB, nos bastidores, as análises são que o caminho do ministro Hélio Costa ainda é uma incógnita. Com a vitória de Reginaldo Lopes na presidência do PT e o fortalecimento da pré-candidatura do ex-prefeito Fernando Pimentel, uma aliança com os petistas ficou mais difícil com os dois lados pretendendo cabeça de chapa. O acordo seria mais provável se o candidato petista fosse o ministro Patrus Ananias, com quem Costa tem maior diálogo.

Informações de bastidores mostram ainda que Hélio Costa mantém também uma negociação com o governador Aécio Neves. Mas para um acerto com os tucanos, o ministro teria que recuar e aceitar disputar novamente o Senado, ao lado de Aécio, ou uma vaga de vice de Antônio Augusto Anastasia, pré-candidato ao governo. Essa alternativa estaria sendo avaliada como uma ação de longo prazo. Como Anastasia será o governador em outubro de 2010, disputará uma reeleição e, caso vença, não poderia se candidatar ao cargo em 2014.

Aécio deve anunciar futuro político no início de janeiro
Depois de admitir o favoritismo do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), na disputa pelo direito de ser candidato tucano à Presidência da República e negar que já tenha decidido a disputar o Senado em 2010, o governado de Minas, Aécio Neves, preferiu não aparecer publicamente ontem. Ele ficou durante todo o dia despachando do Palácio das Mangabeiras, residência oficial, de onde também fez contatos para articulações políticas.
Segundo informações de bastidores, Aécio deve anunciar a sua decisão de qual cargo vai disputar em 2010 por volta do dia 11 de janeiro. Mesmo que a decisão seja tomada antes da virada do ano, o governador deve comunicar ao partido e aliados próximos antes de declarar publicamente a sua opção, que poderá ocorrer em evento partidário. (RG)

Alerta
Aliança. A aproximação do PMDB com o PSDB preocupa outros aliados dos tucanos no Estado, como o DEM e o PP. As duas siglas querem a vaga de vice na chapa de Anastasia, além de uma na composição para o Senado.

http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=129305

15 de dez. de 2009

Aécio admite o favoritismo de Serra na corrida presidencial

Apesar do discurso, mineiro garante que não desistiu de se lançar ao Planalto

O TEMPO - Rafael Gomes

O governador de Minas, Aécio Neves, admitiu ontem que o governador de São Paulo, José Serra, é a alternativa "provável" para liderar a candidatura tucana à Presidência da República em 2010. Após um almoço com empresários da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), o mineiro reconheceu fatores que favorecem seu adversário interno, como "indicadores expressivos nas pesquisas", e destacou que Serra pode desempenhar um papel semelhante ao dele na articulação para a busca de alianças com outros partidos.

"Apresentei ao partido o apoio de vários companheiros, uma alternativa que poderia ser, eventualmente, mais agregadora do ponto de vista partidário. Mas isso não impede que o governador José Serra, se for ele o candidato, também busque agregar essas outras forças políticas", destacou. "A partir de janeiro, a contribuição que eu poderia dar se torna muito mais difícil. Talvez, dessa forma, eu possa estimular o partido a tomar uma decisão ou caminhar para a opção do governador Serra. Se for ele o candidato, terá todo o meu apoio", completou Aécio.

Antes do encontro com empresários fluminenses, o governador mineiro também já reconhecera, em entrevista à rádio CBN, que a "tendência" é que o candidato tucano ao Palácio do Planalto seja José Serra - se não houver uma decisão da cúpula do partido que indique o contrário. "Eu acho que a tendência, se eu realmente não tiver do partido uma decisão, é que o candidato do PSDB seja o governador José Serra e com todas condições de fazer um grande debate", disse.
Os governadores de Minas e São Paulo divergem sobre a data do anúncio da pré-candidatura tucana. Enquanto Serra quer esperar até março, no limite do prazo para desincompatibilização, Aécio quer que a definição saia logo no início do ano, sob o risco de restar pouco tempo para acertar alianças com outras siglas.

Persistência. Apesar de dar indícios de favoritismo de Serra nas declarações, Aécio demonstrou também que não jogou a toalha e continua trabalhando por uma possível pré-candidatura à Presidência. Ele negou que já tenha tomado a decisão de concorrer ao Senado por Minas em 2010, como foi noticiado durante o fim de semana. "Não há nenhuma decisão tomada. Até porque, se, no mês de janeiro, em uma conversa da direção partidária, o partido optar por me dar condições de construir a candidatura, obviamente, eu serei candidato à Presidência da República", salientou o tucano.

Aliados do governador em Minas também descartaram a possibilidade de a decisão já estar tomada. Segundo eles, Aécio continua a sua agenda de contatos políticos para a construção de uma candidatura à Presidência da República no ano que vem. Nos próximos dias, o tucano deve ter encontro com dirigentes do PDT.

Mineiro recomenda ao PSDB aliança com siglas governistas
O governador Aécio Neves disse ontem que seu partido, o PSDB, deve buscar alianças até com partidos governistas para a eleição presidencial. Segundo ele, o PSDB não deveria coligar-se apenas com partidos da oposição, mas sim deixar "as portas abertas para alianças com outras forças".

"Devíamos estar buscando, em parceiros do governo federal e em aliados do presidente Lula - ou seja, partidos que não apoiarão necessariamente uma candidatura do PT -, um projeto pós-Lula", afirmou o governador de Minas.

De acordo com Aécio, o PSDB deve buscar apoio em partidos como o PSB, o PDT, o PP e até o PMDB. "São forças que não tomaram ainda uma decisão formal", concluiu. (RG)

http://www.otempo.com.br/otempo/noticias/?IdNoticia=129193