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6 de out. de 2010

Marina trava disputa dentro do PV para ficar neutra no 2º turno

Correio Braziliense - Alana Rizzo - Vinicius Sassine


Brasília e São Paulo — O grupo da senadora Marina Silva é minoria dentro do Partido Verde (PV) — corresponde a menos de 20% dos integrantes da executiva nacional — e vem encontrando dificuldades para fazer prevalecer a decisão política mais desejada por Marina e seus aliados: a neutralidade no segundo turno da eleição presidencial, sem declaração de apoio a José Serra (PSDB) ou a Dilma Rousseff (PT). Depois de enfrentar petistas e tucanos e sair das urnas com 19,6 milhões de votos, o que despertou uma corrida pelo apoio da candidata verde, Marina trava agora uma disputa com os dirigentes que dominam o PV.

Dos 58 membros da executiva nacional, 10 são do grupo da senadora. Eles se filiaram ao PV com Marina, em agosto de 2009, e não têm poder suficiente para barrar o apoio do partido a José Serra, como desejam as antigas lideranças verdes de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A votação expressiva obtida por Marina e o ganho de capital político — o apoio da senadora passou a ser considerado decisivo para a eleição do novo presidente da República — evidenciaram o racha existente no PV desde a chegada dos ex-petistas. Indicados para cargos na executiva, na secretaria e na coordenação nacional, Marina e aliados chegaram à legenda sob a promessa de mudanças no estatuto e nos programas do partido, o que não ocorreu.

A ala da senadora discorda e critica, por exemplo, as chamadas comissões provisórias, em que o presidente da sigla nomeia dirigentes nos estados e nos municípios. Em troca, esses dirigentes regionais validam as escolhas da executiva nacional, como o Correio constatou em entrevista com as lideranças. Questionadas sobre qual deve ser a posição de Marina no segundo turno, a resposta é quase unânime: vão seguir a decisão da executiva nacional.

O PV é um partido sem unidade regional. Em decisões nacionais, segue a cartilha ditada pelas lideranças de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Partiram de líderes do Rio, 40 dias antes da eleição, as primeiras iniciativas de apoio do partido a José Serra no segundo turno. A dois dias da votação, foi a vez de o presidente nacional do PV, José Luiz Penna, manifestar a intenção de apoio a Serra. Nas duas ocasiões, a coordenação da campanha de Marina à Presidência negou qualquer aproximação nesse sentido. Os coordenadores da candidatura pertencem ao grupo recém-filiado ao PV.

Representação
Com exceção do desempenho de Marina na disputa presidencial, o partido não obteve êxito nestas eleições. Nenhum dos 11 candidatos próprios aos governos estaduais foi eleito. Juntos, obtiveram menos de 3,5 milhões de votos. O PV elegeu 15 deputados federais, mesma quantidade de parlamentares da atual legislatura. A partir de fevereiro de 2011, quando Marina encerrar o mandato, a legenda não terá senador.

Em outros 14 estados onde a sigla fez parte de coligações para as disputas pelos governos, as composições foram as mais diversas. Seis alianças eram encabeçadas pelo PT ou por partidos da base governista. Outras quatro eram capitaneadas pelo PSDB e, em quatro estados, o PV integrou composições que duelaram com petistas e tucanos. Para driblar essa configuração dentro do PV, Marina e aliados se agarraram a uma resolução interna que determina a realização de convenção em caso de segundo turno na disputa presidencial. Entre a convocação dos filiados com direito a voto e a convenção, são necessários dez dias. Por isso Marina convocou a imprensa para dizer que uma decisão só será anunciada em 15 dias.

“A data da convenção será definida nesta semana”, afirma João Paulo Capobianco, que coordenou a campanha de Marina. Cerca de 200 filiados teriam direito a voto. Eles escolheriam entre o apoio a Serra, a Dilma ou a neutralidade. Mesmo correndo o risco de perder o capital político conquistado, adiar a decisão e envolver os “núcleos vivos da sociedade” foram as armas de Marina para barrar uma decisão apressada do PV. “Ela vai ouvir a sociedade, os movimentos sociais e o partido”, diz o ex-deputado federal Luciano Zica, que ingressou no PV com Marina, saídos do PT.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/10/06/noticia_eleicoes2010,i=216702/MARINA+TRAVA+DISPUTA+DENTRO+DO+PV+PARA+FICAR+NEUTRA+NO+2+TURNO.shtml

4 de out. de 2010

Marina Silva deixa a disputa eleitoral como senhora do primeiro turno

Marina Silva deixa a disputa eleitoral com votação expressiva e a responsabilidade de ter prolongado a escolha do próximo presidente

Correio Braziliense - Alana Rizzo Enviada especial - Vinicius Sassine

São Paulo e Brasília — Desafeto atravessado na garganta da petista, Marina Silva (PV) empurrou Dilma Rousseff (PT) para a disputa em segundo turno com José Serra (PSDB). A candidata verde deixa a disputa presidencial como a responsável por adiar a definição do novo presidente da República. Marina teve votação superior à previsão de todas as pesquisas, arrancou votos de Dilma, provocou o segundo turno e dá uma nova perspectiva ao discurso na etapa final da campanha: obrigatoriamente, Dilma e Serra precisarão defender a sustentabilidade, bandeira de Marina, para conquistar os votos da onda verde.

Com mais de 19,5 milhões de votos — 19,4% dos votos válidos —, Marina foi decisiva para evitar a vitória de Dilma em primeiro turno. A importância da senadora para o processo eleitoral não se encerra com o fim da apuração das urnas. Tucanos e petistas disputam o apoio da candidata do PV na segunda e última etapa da disputa presidencial. Lideranças do PV já assediam o PSDB há pelo menos 40 dias, quando começou a se delinear uma aproximação entre cúpulas partidárias. Ao mesmo tempo, emissários do PT do Acre — terra natal de Marina — passaram a sustentar que ela estaria ao lado de Dilma no segundo turno.

Já naquela fase da campanha, Marina irritou-se com as especulações e desautorizou que correligionários ou aliados petistas falassem em seu nome. No primeiro pronunciamento como candidata derrotada nas urnas, a senadora não manifestou apoio a Dilma ou Serra, mas não disse que vai se manter neutra no segundo turno. “A intenção e o gesto revelam o início de um processo que inclui plenárias e que, de fato, sinaliza a nova política que estamos preconizando. Foi nessa política que as pessoas votaram e que aos poucos estão se comprometendo”. Marina disse que o PV, agora, discute o melhor posicionamento, que faça “jus” aos votos recebidos nas urnas.

“A nossa decisão não terá relação com a velha política que se manifesta só por se manifestar e vislumbrando pontos lá na frente”, disse, informando que, durante a semana, vai se reunir com dirigentes da legenda e com “núcleos vivos da sociedade” que a apoiaram para o início de um processo interno de discussão. Independentemente de sua posição, os 19,5 milhões de votos obtidos na disputa presidencial fortaleceram o nome de Marina no atual cenário político. Pela postura de embate demonstrada na fase final da campanha, ao bater em Dilma e Serra, a senadora se coloca no campo da oposição, mesmo sem saber quem vai se sentar na cadeira de presidente a partir de 1º de janeiro de 2011.

Sem cargo a partir de então, Marina deve ganhar força dentro do PV e atuará no terceiro setor — fará da defesa do meio ambiente a mesma bandeira que lhe garantiu uma votação expressiva ontem. No pronunciamento à noite, ela e o candidato a vice, Guilherme Leal, disseram ser “maiores que as circunstâncias”, ao falarem sobre o futuro político dos dois.

Desde a saída do PT, em agosto do ano passado, e a filiação poucos dias depois ao PV, Marina construiu uma aliança com diferentes setores da sociedade. Primeiro, aproximou-se do empresariado alinhado à defesa da sustentabilidade. Depois, assumiu dentro das igrejas evangélicas uma posição de liderança política, apesar dos rachas partidários existentes em cada matiz protestante. O apoio espontâneo de movimentos suprapartidários compensou a completa ausência de coligação a outros partidos.

Mesmo derrotada nas urnas e fora do segundo turno, Marina comemorou os quase 20 milhões de votos. E não é para menos. Em 2006, a então candidata à Presidência Heloísa Helena (PSol) obteve 6,5 milhões de votos. Há quatro anos, Heloísa gerou uma movimentação semelhante à provocada por Marina, mas foi perdendo forças até o dia da votação. Chegar a quase 20% dos votos é uma conquista surpreendente para a própria Marina. Em 1988, quando foi eleita pela primeira vez para o cargo de vereadora em Rio Branco (AC), ela obteve 2,5 mil votos.

Não à toa, ela comemorou o segundo turno das eleições brasileiras. Com os olhos marejados e praticamente sem voz, Marina afirmou que seu projeto foi vitorioso. “O eleitor brasileiro quebrou o plebiscito. Escolheu ouvir duas vezes, olhar duas vezes”, disse, completando que, mesmo percebendo todas as melhorias na vida do brasileiro, o eleitor mostrou que “nem só de pão vive o homem”.


Análise da notícia
Lula vai manter o silêncio?
Marina Silva foi escanteada. A decisão de deixar o Ministério do Meio Ambiente (MMA) em maio de 2008 e de jogar no colo do presidente da República a responsabilidade pela manutenção do combate ao desmatamento da Amazônia irritou Lula. Marina e Lula encontraram-se três ou quatro vezes depois da demissão dela. Marina como senadora, ele como presidente. Encontros protocolares, por acaso, constrangedores. Depois que ela saiu do PT e se lançou na disputa presidencial pelo PV, Lula não fez uma única ligação. Não se falam desde então, o que deve mudar agora. Marina recebeu 19,5 milhões de votos, arrancou votos de Dilma Rousseff (PT), levou a eleição para o segundo turno. Lula vai manter o silêncio?

O presidente não é um “iluminado”, nas palavras da própria Marina. Precisará passar a mão no telefone — se já não o fez na noite de ontem — e ligar para a sua ex-ministra. A ex-ministra preferida, Dilma, tomou um susto no primeiro turno, caiu mais do que projetaram as pesquisas e precisará acolher os votos da onda verde no segundo turno. Há mais de 40 dias, lideranças do PV “vendem” o apoio de Marina e da legenda ao candidato tucano, José Serra. Esse movimento ficou mais evidente na reta final da campanha para o primeiro turno.

Independentemente de sua posição no segundo turno, Marina sai da disputa presidencial com um capital político precioso. Na briga solitária por votos, não teve força suficiente para chegar à disputa final com Dilma, com quem tem desavenças históricas. Ironicamente, um ano depois de deixar o PT pela porta dos fundos, escanteada, Marina deu um troco amargo demais para os petistas. Não imaginaram ter de cotejá-la tão cedo. (VS)

Incansável no corpo a corpo
» O avião que levava Marina Silva a Rio Branco (AC), onde votou, fez uma escala, na noite de sábado, em Goiânia (GO) para reabastecer. Seriam duas horas em solo, tempo precioso para conquistar mais votos. Marina não pensou duas vezes. Depois de intenso corpo a corpo em São Paulo, no Rio de Janeiro e, por último, em Diamantina (MG), a candidata foi para o saguão do aeroporto da capital goiana conversar com eleitores. De lá, pegou um táxi e fez o corpo a corpo não agendado — o último da campanha — na Feira da Lua, uma das mais movimentadas de Goiânia. Depois de caminhar pela feira, a senadora voltou ao aeroporto e seguiu para Rio Branco, onde foi recebida por dezenas de simpatizantes, militantes e familiares. Marina votou no início da manhã e seguiu para São Paulo, onde acompanhou a apuração dos votos. (VS)


Primeiro lugar no DF
Se os eleitores brasileiros se restringissem à população do Distrito Federal (DF), Marina Silva (PV) teria sido içada com folga ao segundo turno da disputa presidencial. A senadora foi a candidata mais votada no DF, com 611,3 mil votos — 148,9 mil a mais do que a segunda colocada, Dilma Rousseff (PT). Em nenhuma outra unidade da federação a candidata verde recebeu tanto apoio nas urnas. Ela obteve 42% dos votos, quase o dobro dos votos depositados para José Serra (PSDB).

Desde o início da campanha eleitoral, Marina já esperava uma votação expressiva no DF. “Tenho 16 anos de trabalho aqui, entre o Senado e o Ministério do Meio Ambiente. Acredito que é uma convivência da população de Brasília com o meu trabalho”, disse a candidata em 19 de setembro, em entrevista ao Correio. “Com certeza, há uma exposição maior. Brasília e Acre são os lugares onde eu tenho maior exposição e convivência com as pessoas.”

Mas, no Acre, terra natal da senadora, o desempenho nas urnas confirmou o que as pesquisas já mostravam. O estado que deu a Marina dois mandatos de senadora e onde ela exerceu os cargos de vereadora e deputada estadual não se empolgou com a candidatura de uma acriana à Presidência. Marina obteve praticamente a mesma quantidade de votos depositados em Dilma e ficou bem atrás de Serra.

A onda verde chegou com força ao Rio de Janeiro, à Amazonas e ao Pernambuco — onde Marina derrotou Serra—, e passou longe da região Sul. No Rio Grande do Sul, por exemplo, a candidata do PV não atingiu 12% dos votos. As pesquisas de preferência eleitoral mostravam que a onda verde ganhou força principalmente nas grandes capitais, o que se confirmou com o fechamento das urnas. Eleitores do Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Recife (PE), Belo Horizonte (MG) e Recife (PE) embarcaram na candidatura do PV. (VS)

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/10/04/noticia_eleicoes2010,i=216298/MARINA+SILVA+DEIXA+A+DISPUTA+ELEITORAL+COMO+SENHORA+DO+PRIMEIRO+TURNO.shtml

30 de set. de 2010

Em encontro com representantes religiosos, Dilma se diz contra ao aborto

Correio Braziliense - Tiago Pariz


Com a indicação de que Marina Silva (PV) está absorvendo os votos de religiosos, Dilma Rousseff (PT) pediu apoio de bispos de congregações evangélicas e de setores da Igreja Católica, ontem, para tentar conter a drenagem de potenciais eleitores. Numa mobilização de olho em viabilizar a vitória em primeiro turno, pastores e missionários gravaram mensagem de apoio à presidenciável petista e prometeram conversar com seus rebanhos para acabar com o que chamaram de “onda de boataria” na corrida pelo Palácio do Planalto.

A equipe do marqueteiro João Santana aproveitou o encontro com 27 representantes religiosos ontem, no escritório político de Dilma, para gravar declarações de cerca de 10 pessoas. Os depoimentos irão ao ar entre hoje e amanhã, e também serão divulgados na internet. Entre os que prometeram apoio, estão o deputado Manoel Ferreira (PR-RJ), bispo do Ministério Madureira, da Assembleia de Deus, e o vereador e missionário católico Gabriel Chalita (PSB-SP), candidato a deputado federal.

A candidata Dilma Rousseff defende suas posições pró-Vida e favorável à família em reunião com representantes católicos e evangélicos

O chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho, foi o condutor da reunião. Partiu dele o pedido para os presentes ajudarem a campanha de Dilma. O presidente Lula também se mobilizou em favor de sua candidata. Em vídeo publicado ontem na página de internet de Dilma e também televisionado, Lula diz que “pessoas saíram do submundo da política para falar mentiras”.

Durante o encontro, os religiosos disseram a Dilma que a posição dúbia sobre o aborto e uma suposta frase que ela teria dito, disseminada via internet — na qual afirma que nem Cristo tiraria a vitória dela — estavam causando estragos na campanha. A petista lamentou o que chamou de “fatos do submundo político” e negou a declaração.

Dilma reforçou que é contra a prática do aborto e afirmou que, se eleita, não fará nenhuma lei para legalizar o ato. “Sou contra o aborto. É uma violência contra a mulher”, disse, acrescentando que o Estado deve amparar as mulheres que optam por interromper a gravidez. “Quem recorre ao aborto corre risco de morte e elas têm de ser atendidas.” A petista também rejeitou fazer um plebiscito sobre o tema.

Os bispos prometeram fazer reuniões com os seus fiéis para dirimir as dúvidas e pregar o voto na petista. “Dentro do segmento evangélico, temos reuniões duas ou três vezes por semana. Temos os meios eletrônicos. Faremos um trabalho, um esforço forte”, disse Manoel Ferreira, acrescentando que colocará integrantes de seu grupo religioso para disparar telefonemas em favor de Dilma para esclarecer que ela é contra o aborto e nunca usou o nome de Cristo em vão.

Cartas
Os religiosos divulgaram uma carta contra a “boataria cruel”, assinada pelo bispo Ferreira, e outra de dom Demétrio Valentini, da Diocese de Jales (SP). Valentini criticou a campanha que, em vez de privilegiar o debate e o confronto de programas e ideias, ficou carregada de “ataques pessoais em tentativas de desmoralizar os adversários”, mas evitou pregar voto em algum candidato.

Marina rebate rival do PT
A presidenciável Marina Silva (PV) acusou ontem a rival Dilma Rousseff (PT) de mudar seu discurso sobre a legalização do aborto para ganhar votos. “Eu não faço discurso de conveniência. A ministra Dilma já disse que era a favor e depois mudou de posição. Não acho que em temas como esse se deva fazer um discurso uma hora de uma forma e outra hora de outra só para agradar ao eleitor, afirmou a candidata, que fez campanha no Rio de Janeiro.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/09/30/noticia_eleicoes2010,i=215560/EM+ENCONTRO+COM+REPRESENTANTES+RELIGIOSOS+DILMA+SE+DIZ+CONTRA+AO+ABORTO.shtml

Serra apela para os indecisos e defende aposentadoria integral

Correio Braziliense


São Paulo — O candidato à Presidência da República José Serra (PSDB) está tão confiante no segundo turno das eleições que renovou as energias nesta reta final de campanha para investir na parcela do eleitorado que ainda não decidiu em quem votar — que, segundo pesquisas de diversos institutos, varia de 18% a 24%. Ontem, durante o Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), em São Paulo, o tucano pediu aos indecisos que “deem uma chance” a ele.

Serra também voltou seu discurso para os beneficiários da Previdência Social, prometendo fazer uma nova reforma previdenciária “de maneira realista”. “Eu prefiro mexer na idade do que na remuneração. É necessário examinar a questão para se fazer uma coisa séria”, disse, acrescentando que é favorável à aposentadoria integral dos funcionários públicos.

O candidato ainda defendeu a capacitação e a qualificação permanente do funcionalismo público. “A estabilidade das instituições depende da qualidade do funcionário. Ou o Estado brasileiro se profissionaliza de fato ou vamos amargar péssimos efeitos para a economia”, prevê. Ele também citou a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos como exemplo de má administração. “O que está acontecendo com os Correios é uma vergonha. A empresa está sendo destruída pelo aparelhamento feito por parte de partidos e de sindicatos ligados ao governo”, discursou.

Partidarização
O tucano também fez críticas à partidarização de empresas públicas. Ele citou como exemplo o que ocorreu nas agências reguladoras, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). “A Anvisa virou objeto de barganha política. Isso resultou em atrasos na aprovação dos genéricos”, destacou.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/09/30/noticia_eleicoes2010,i=215536/SERRA+APELA+PARA+OS+INDECISOS+E+DEFENDE+APOSENTADORIA+INTEGRAL.shtml

Nova pesquisa Datafolha mantém indefinição sobre segundo turno

Agência Brasil


Brasília - O Instituto Datafolha divulgou durante a madrugada de hoje (30/9) uma nova pesquisa sobre intenção de voto para a eleição presidencial do próximo domingo (3). De acordo com o levantamento, Dilma Rousseff (PT) tem 52% dos votos válidos, contra 31% de José Serra (PSDB) e 15% de Marina Silva (PV).

Na pesquisa estimulada, Dilma tem 47% das intenções de voto, José Serra, 28%, e Marina, 14%. Plínio de Arruda Sampaio (P-SOL) teve 1% das intenções de voto, e os demais cinco candidatos não atingiram juntos 1%. O percentual de indecisos é de 6%, e outros 3% declararam que votarão em branco ou nulo.

Ao comparar os dados da pesquisa Datafolha divulgada na terça-feira (28), Dilma cresceu 1 ponto percentual. Serra e Marina mativeram o mesmo índice de intenção de voto na pesquisa estimulada – 28% e 14%, respectivamente.

A soma das intenções de voto dos adversários de Dilma é de 48%. Nesse cenário, a petista estaria eleita no primeiro turno, pois precisa de 50% dos votos válidos mais um. A margem de erro amostral da pesquisa, no entanto, não permite assegurar nenhum prognóstico. Segundo cálculo do Datafolha, as intenções de voto podem variar 2 pontos percentuais.

O levantamento foi encomendado pela Folha de S.Paulo e pela Rede Globo e feito entre os dias 28 e 29. Foram ouvidas 13.195 pessoas em 480 municípios. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 33.119/2010.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/09/30/noticia_eleicoes2010,i=215570/NOVA+PESQUISA+DATAFOLHA+MANTEM+INDEFINICAO+SOBRE+SEGUNDO+TURNO.shtml

29 de set. de 2010

Dilma diz que não vai propor flexibilização na legislação sobre aborto

Agência Brasil

Depois de se reunir na manhã desta quarta-feira (29) no escritório polítco, em Brasília, com lideranças religiosas cristãs, a candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, disse que tem o compromisso, caso eleita, de não enviar ao Congresso nenhuma proposta de mudança na legislação sobre o aborto. Ela explicou, no entanto, que vai tratar o assunto como uma questão de saúde pública, ou seja, mulheres com complicações devido ao aborto não podem deixar de ser atendidas na rede de saúde. “Nessa situação, o aborto já ocorreu”.

“Pessoalmente eu não sou a favor do aborto. Sou contra o aborto porque considero uma violência contra a mulher. No entanto, não acredito que uma mulher recorre ao aborto em condições precárias porque quer”, disse a candidata. “Nós já temos uma legislação sobre o assunto”, completou.

O Código Civil não considera crime o aborto quando praticado em casos de gravidez por estupro ou quando a gestação representa risco de vida para a mãe. Algumas igrejas atuam no sentido de manter atual legislação e outras querem até que essas exceções ao crime sejam retiradas. Por outro lado, mulheres organizadas no movimento feministas e até mesmo no próprio PT defendem uma flexibilização maior da lei.

Dilma Rousseff também manifestou ser contrária a um plebiscito sobre o aborto. “Sou contra um plebiscito sobre esse assunto e vou dizer o porquê. Acho que um plebiscito sobre o aborto divide o país e, nesse caso, não é possível dizer quem vai ganhar ou perder. Nesse caso os dois lados perdem”, disse.

Dilma afirmou ainda que, embora o Estado brasileiro seja laico, a parceria com as igrejas é estratégica na luta contra a pobreza, as drogas, a prostituição infantil, no combate à gravidez precoce e pela valorização da família.”Me comprometi que, em caso de haver um governo meu, ele ouvirá sistematicamente os grupos religiosos. Essa parceria é estratégica para nós”, afirmou.

A candidata petista aproveitou para desmentir boatos de que teria dito que “nem Cristo” tiraria dela a vitória nessas eleições. “Repudio integralmente afirmações que colocaram na minha boca de que eu usei o nome de Cristo para falar que nem ele me derrotava nesse eleição. É um absurdo, uma calúnia, é uma vilania contra mim. De acordo com Dilma, os boatos são típicos do fim de campanha e teriam saído do “submundo político”.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/09/29/noticia_eleicoes2010,i=215468/DILMA+DIZ+QUE+NAO+VAI+PROPOR+FLEXIBILIZACAO+NA+LEGISLACAO+SOBRE+ABORTO.shtml

Crescimento de Marina Silva na reta final anima correligionários

Diferença entre ela e Serra, contudo, ainda é expressiva

Correio Braziliense - Alice Maciel

“Tentaram me ignorar, mas agora não dá mais.” Com esse tom e apostando na chance de chegar ao segundo turno no domingo, a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, tentou disseminar no eleitorado ontem, tanto em Belém quanto em Juiz de Fora (MG), a aura de otimismo que considera essencial para consolidar a “onda verde” na reta final da corrida presidencial. “Eu acredito na confiança dos cidadãos e cidadãs e na capacidade de cada um de querer um Brasil melhor”, disse “O Brasil vai decidir no segundo turno se quer a Silva ou uma Rousseff”, afirmou.

Marina atribuiu seu crescimento nas pesquisas ao posicionamento propositivo adotado na campanha, longe do vale-tudo eleitoral. A ex-ministra confia que pode vencer as eleições se passar da primeira rodada, por meio do horário eleitoral, que será o mesmo entre os dois concorrentes. “Com um minuto e vinte nós conseguimos mobilizar as pessoas e, com certeza, com o mesmo tempo, as pessoas vão poder tomar uma decisão com mais clareza, de forma mais confiante”, completou.

O problema de Marina é que a distância dela para José Serra, atualmente o segundo colocado nas sondagens eleitorais, é de mais de 10 pontos percentuais. Segundo Marina, as pesquisas não estão conseguindo alcançar a mobilização da população de todo país e captar o que chamou de onda verde. A candidata disse que nesta reta final não vai modificar a estratégia e negou tratar um candidato ou outro diferentemente. Segundo Marina, sua atitude é de explicitar seu posicionamento e de contribuir para que os concorrentes possam explicitar os seus. “Por que o PSDB e o DEM sempre fizeram críticas ao Bolsa Família e agora estão dizendo que vão dobrar e que vão dar o 13°? A pergunta que eu tenho feito é se fizeram uma auto-crítica ou se é só um discurso para ganhar eleição”, acrescentou.

Marina voltou a afirmar que se vencer o pleito não vai deixar nenhum partido de fora e vai governar o país com o melhor do PT, do PMDB, do PSDB e do DEM. Ela afirmou que vai oxigenar a política. “O país está cansado dessa briga entre vermelhos e azuis”, afirmou. Ela acredita que terá apoio dos dois lados. “Os militantes do PT estão incomodados com as alianças incoerentes que foram feitas e os do PSDB estão incomodados com o promessômetro que se transformou a candidatura de José Serra.”

Conquistas
A candidata disse ainda que vai manter as conquistas dos governos das duas legendas (PT e PSDB) , como o Bolsa Família e o Plano Real, respectivamente. “Mas vamos reparar os erros que hoje existem na educação, onde 40% das nossas crianças não chegam sequer à oitava série.” Além de Belém, Marina visitou Juiz de Fora. A ex-ministra, que é evangélica, participou de um encontro do Conselho de pastores e fez corpo a corpo pelas ruas da cidade no fim do dia. Ela voltou a dizer que é contra o aborto e a liberação das drogas. “Eu tenho defendido o plebiscito para que a sociedade brasileira, na sua maioria, possa debater e decidir. A sociedade brasileira é diversa e a nossa campanha está conversando sobre essa questão. Eu sempre tive uma posição muito clara em relação àquilo que eu defendo publicamente.”

Eu acredito na confiança dos cidadãos e cidadãs e na capacidade de cada um de querer um Brasil melhor”
Marina Silva, candidata do PV à Presidência

Esperança no PSDB

Desde sempre o discurso do candidato tucano à Presidência, José Serra, é de não comentar pesquisas. Ontem, contudo, diante da possibilidade mais factível de um segundo turno entre ele e Dilma Rousseff, de acordo com as projeções do Datafolha divulgadas ontem, o tucano não negou que recebeu uma injeção de otimismo. “Estou confiante como sempre. Acho que vai haver segundo turno, mas não me guio por pesquisas”, comentou José Serra, durante visita a Salvador.

“Nesta mesma época, em 2002, ninguém achava que eu ia para o segundo turno. Depois, achavam que eu ia ter 30% (dos votos) e eu tive quase 40%”, ressaltou. “Na eleição para prefeito de São Paulo foi a mesma coisa, achavam que a Marta Suplicy ia ganhar no primeiro turno e, no segundo turno, que eu ia ganhar por pouco e ganhei por mais. Isso é normal.”

Serra viajou à capital baiana para receber o título de cidadão soteropolitano, concedido pela Câmara Municipal. A Região Nordeste é um dos focos de investimento do tucanato porque é ali que Lula e, por consequência, Dilma, têm grande quantidade de votos. Durante o evento, Serra falou sobre a liberdade de imprensa, citando autores baianos. “Como não citar o grande poeta Gregório de Matos, que nenhuma censura conseguiu calar? Ele exerceu com lucidez e clareza sua crítica política, pagou o preço pela sua ousadia, mas deixou uma obra imortal”, lembrou. “Desconfio que se Gregório existisse ainda hoje, talvez algum dos censores que andam por aí tentasse calar.”

Depois da cerimônia na Câmara, Serra se reuniu com dom Geraldo Magella Agnelo, cardeal de Salvador e arcebispo-primaz do Brasil, na Cúria Metropolitana. No encontro, Agnelo entregou a Serra documento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil que prega o voto em “pessoas comprometidas com o respeito incondicional à vida, à família e à dignidade humana”.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/09/29/noticia_eleicoes2010,i=215361/CRESCIMENTO+DE+MARINA+SILVA+NA+RETA+FINAL+ANIMA+CORRELIGIONARIOS.shtml

28 de set. de 2010

Em comício em São Paulo, Dilma promete erradicar a miséria no país

Agência Brasil

São Paulo - A candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, prometeu erradicar a miséria no país, durante comício realizado na noite de hoje (27) no Sambódromo do Anhembi, zona norte da capital paulista. "Queremos que o Brasil inteiro seja composto por uma classe média forte", disse Dilma, ao discursar para cerca de 35 mil militantes que agitavam bandeiras sob a chuva. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do ato da campanha de Dilma.

Em entrevista coletiva após o ato, Dilma voltou a falar sobre o tema, ressaltando que o desenvolvimento precisa levar qualidade de vida para toda a população. Para ampliar a renda das classes mais baixas, a candidata disse apostar em uma combinação “virtuosa” de programas de distribuição de renda e a formalização do mercado de trabalho.

Segundo Dilma, é importante que não haja apenas crescimento, mas distribuição da riqueza entre toda a sociedade. “Uma nação desenvolvida não é o PIB [ Produto Interno Bruto]”. Ela destacou ainda a importância da agricultura familiar nesse processo.

A candidata também comentou a exigência de que o eleitor apresente dois documentos no momento da votação. Para ela, a medida pode prejudicar algumas parcelas da sociedade, como os indígenas. “Achamos que quando você cria certas regras, você pode prejudicar segmentos da população.” O PT entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a exigência.

A “força” da militância petista, que ficou no comício mesmo sob chuva, também foi lembrada por Dilma. Estiveram presentes no evento, diversos candidatos a deputado da coligação que apoia a petista, o candidato ao governo estadual pelo PT, Aloizio Mercadante.

Lula aproveitou o comício para falar sobre a capitalização da Petrobras, na última sexta-feira (24). De acordo com ele, foi a maior operação do tipo na “história do planeta”, o que transformou a empresa na segunda maior petrolífera do mundo. "Daqui a pouco, seremos a primeira."

O presidente criticou a falta de vagas nas universidades públicas do estado de São Paulo. Segundo Lula, elas só atendem 8% dos universitários paulistas.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/09/28/noticia_eleicoes2010,i=215184/EM+COMICIO+EM+SAO+PAULO+DILMA+PROMETE+ERRADICAR+A+MISERIA+NO+PAIS.shtml

27 de set. de 2010

Marina defende petistas das denúncias contra a ex-ministra Erenice Guerra

Correio Braziliense - Edson Luiz


A candidata do Partido Verde ao Palácio do Planalto, Marina Silva, saiu ontem em defesa do PT, legenda à qual pertenceu. Segundo ela, a sigla não pode ser alvo das críticas por causa das denúncias contra Erenice Guerra, ex-ministra-chefe da Casa Civil. A candidata fez uma caminhada pela Zona Sul do Rio, onde afirmou ainda, que gostaria de trabalhar com petistas que não tiveram envolvimento em escândalos. Seu adversário, o tucano José Serra, abriu mão do corpo a corpo e chegou à capital fluminense no fim do dia. Serra se recusou a comentar a entrevista do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que afirmou que Dilma Rousseff seria eleita.

“Tem uma parte do PT que nunca participou de mensalão, e que fica constrangida com estes acontecimentos”, disse Marina, ressaltando que a parte à qual se referia era o lado bom do partido. “A minha fala foi sempre no sentido de salvaguardar aqueles segmentos que não são minoritários, que não se envolveram com o mensalão e que não estão satisfeitos com as alianças incoerentes, e que estão sendo preteridos em relação a elas”, explicou a candidata do PV, observando que outras alas petistas que provocam escândalos são as que não aprendem com os erros. “É uma parte que fica repetindo os erros, assim como o PSDB, que também repete erros inclusive também com suas alianças incoerentes”, emendou.

Imprensa
José Serra chegou ao Rio no fim do dia e cancelou uma visita a uma livraria, em Ipanema. Na entrevista que concedeu no Aeroporto Internacional Tom Jobim, ele defendeu a liberdade de imprensa, mas não quis comentar as declarações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao Financial Times sobre uma provável eleição de Dilma. “Não foi assim, não foi isso que ele disse”, afirmou o tucano. Serra também falou sobre a liberdade de imprensa no Brasil. “Não há país democrático sem imprensa livre e a imprensa no Brasil tem sido assediada”, afirmou o tucano. “A liberdade de imprensa tem sido atacada e todos nós, não apenas os jornais, todos aqueles que são democratas têm que defender a liberdade de imprensa”, acrescentou.

O tucano voltou a prometer um reajuste de 10% para os aposentados, afirmando que o percentual representa o dobro daquilo que o governo atual vem pagando. Serra lembrou que hoje é o dia do idoso e voltou a falar sobre seu trabalho para a terceira idade, quando foi ministro da Saúde de Fernando Henrique Cardoso.

DEM CONTRA AÇÃO APRESENTADA PELO PT
O Democratas anunciou no começo da noite de ontem que contestará hoje a Ação Direta de Inconstitucionalidade apresentada no Supremo Tribunal Federal (STF) pelo PT na última sexta-feira. Os petistas questionam os dispositivos que exigem do eleitor um documento com foto, além do título eleitoral. De acordo com texto divulgado pelo site do DEM (www.dem.org.br), o presidente nacional do partido, Rodrigo Maia, avalia “que a exigência da lei é adequada e necessária porque não há, até o presente momento, outra forma capaz de eliminar a possibilidade de fraude no momento da votação”. De acordo com o comunicado, Maia estranha a iniciativa do PT em apresentar uma ação com “esse teor a uma semana da eleição, que poderá confundir o eleitor, além de prestar um desserviço ao país”.

Momentos de tensão

O debate entre os quatro principais candidatos à Presidência da República, realizado ontem pela TV Record, teve seus principais momentos de tensão entre os postulantes, logo no primeiro bloco. Plínio de Arruda Sampaio (PSol) e Marina Silva (PV) se enfrentaram por causa de temas polêmicos, enquanto que Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) se estranharam quando o assunto foi a politização das agências reguladoras. A candidata também foi mais uma vez questionada sobre o envolvimento de Erenice Guerra — sua sucessora na Casa Civil — em irregularidades.

Ao contrário do que se esperava, os primeiros embates não foram entre Serra e Dilma, mas entre Plínio e Marina. Eles discutiram por causa do aborto. O candidato do PSol disse que sua concorrente desvia de temas desta natureza, mas a adversária rebateu que defendia o debate sobre os assuntos. “Você está fazendo demagogia para ir ao segundo turno”, disse Plínio à oponente. “Sempre tive a mesma postura, que é manter a coerência”, rebateu Marina.

O embate entre Serra e Dilma ocorreu no fim do primeiro bloco, quando Serra acusou o governo de aparelhar politicamente as agências reguladoras. A candidata petista rebateu afirmando que a atual administração fez concursos públicos, já que encontrou os órgãos sem recursos humanos. Dilma também falou sobre Erenice, repetindo que a Polícia Federal vem realizando uma investigação rigorosa sobre o caso. Enquanto que Serra respondeu sobre a ausência do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em sua campanha. (EL).

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/09/27/noticia_eleicoes2010,i=214971/MARINA+DEFENDE+PETISTAS+DAS+DENUNCIAS+CONTRA+A+EX+MINISTRA+ERENICE+GUERRA.shtml

Dilma e Serra evitam confronto na TV Record. Marina ataca adversários

Correio Braziliense

Os quatro principais candidatos à Presidência participaram na noite deste domingo (26/9) de debate promovido pela TV Record. O debate foi dividido em quatro blocos e durou cerca de duas horas. No primeiro bloco, Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) se apresentaram e fizeram perguntas entre si. As respostas eram comentadas por outro candidato, com réplica e tréplica. No segundo bloco, jornalistas fizeram questões aos candidatos, com comentários de outro candidato e direito a réplica e tréplica.

No terceiro bloco do encontro, houve duas rodadas de perguntas entre os candidatos, também com réplica e tréplica. No último bloco, cada candidato teve dois minutos para considerações finais.

O debate abordou temas como política externa, emprego, corrupção, exclusão social, programas ProUni (Programa Universidade para Todos) e Reuni (Programa de Apoio ao Plano de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), gestão pública, agências reguladoras, papel de Fernando Henrique Cardoso na campanha de José Serra, moradia popular, mensalão do PT e do DEM-DF, capacidade administrativa, "tática do medo" na campanha, impactos ambientais de obras do Plano de Aceleração do Crescimento, cobertura das eleições pela imprensa, educação em São Paulo, políticas antidrogas, salário mínimo, analfabetismo, ensino técnico, capitalização da Petrobras e impostos.

Algoz de favoritos
A candidata do PV, Marina Silva, assumiu o papel de algoz no evento promovido pela Rede Record, optando por fazer críticas ao tucano, na briga pelo segundo turno. Marina também não poupou a petista, questionando-a sobre escândalos na Casa Civil.

Marina atacou Serra em pelo menos dois momentos. No primeiro, afirmou que o DEM, partido coligado ao PSDB, foi contra o Bolsa-Família e que o tucano, em São Paulo, promoveu cortes de programas sociais. Em seguida, a candidata do PV confrontou o tucano sobre a política de terceirização de funcionários públicos e criticou a gestão dele como ministro do Planejamento no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

As recentes denúncias que envolvem a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, que foi braço direito de Dilma no governo, e o caso de violação de sigilo fiscal na Receita Federal foram abordados no debate, tendo a petista como alvo central de questionamentos. “Ninguém está acima de qualquer suspeita. O que é importante é que não se deixe nada sem apurar”, afirmou Dilma.

A candidata do PT afirmou que se as investigações não tiverem sido concluídas até as eleições, ela dará prosseguimento a elas, se eleita. “Asseguro que eu vou investigá-los até o fim.” Afirmou ainda que partidos e instituições não estão livres de pessoas com problemas de conduta. “Tenho certeza de que no meu período na Casa Civil não houve nenhum escândalo de corrupção de que eu tenha tomado conhecimento”, reagiu, encurralada por Marina.

Estratégia
O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, mudou a estratégia durante o debate da TV Record e evitou, sempre que pôde, atacar diretamente sua rival, a petista Dilma Rousseff. O tucano preferiu formular perguntas sobre o governo Lula e sobre planos futuros a Marina Silva, candidata do PV, e a Plínio de Arruda Sampaio, do PSOL. As questões, sobre educação, saúde, política externa, deram a Serra a deixa para fazer críticas a Dilma sem se dirigir a ela.

Por sua vez, Dilma Rousseff, a exemplo dos outros debates de que participou, também evitou questionar Serra diretamente. Formulou suas questões a Marina e Plínio, sempre que possível. Houve poucos momentos de confronto direto entre a petista e o tucano.

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25 de set. de 2010

José Serra pega carona carona na imagem de Juscelino Kubitschek

No Museu de Juscelino Kubitschek, o tucano diz que se inspirou no projeto do estadista mineiro e reforça mínimo de R$ 600

Correio Braziliense - Pedro Ferreira


Diamantina (MG) — Para tentar reverter a sua desvantagem nas pesquisas, o presidenciável José Serra (PSDB), em campanha na histórica Diamantina, cidade mineira no Alto Jequitinhonha, pegou carona literalmente na imagem do filho mais ilustre da cidade, Juscelino Kubitschek (JK), e também nas boas performances do colega de partido Antonio Anastasia, candidato à reeleição ao governo de Minas, e do ex-governador tucano Aécio Neves, que disputa uma vaga no Senado. Os três e o candidato ao Senado Itamar Franco (PPS) permaneceram por cerca de três horas em Diamantina, na tarde de ontem, onde participaram de uma carreata e fizeram um breve discurso em um palco improvisado na Rua da Quitanda. Em seu primeiro evento de campanha juntos, Serra e Itamar, adversários por muito tempo, ainda visitaram a casa onde JK passou a infância, de 1902 a 1919, hoje transformada em museu.

Depois da carreata, os candidatos brindaram com chope no Café A Baiúca e discursaram. Serra pediu que cada um ali presente conseguisse um, dois ou mais votos para eles, e sugeriu que os simpatizantes recorressem aos indecisos por e-mail, por telefone, no local de trabalho, na escola “para que o sopro de cada um se torne uma ventania e faça o barco chegar ao porto da vitória”. O candidato assumiu o compromisso de, se eleito, acabar com as “estradas da morte” no país, citando a BR-381, no trecho que liga Belo Horizonte a Governador Valadares. Para ele, o número de mortes nas estradas brasileiras é altíssimo e as estatísticas divulgadas não correspondem à realidade.

Referência
Segundo Serra, JK foi um grande presidente e uma das suas referências entre os estadistas brasileiros. “É um homem que governou o Brasil com competência, generosidade, tolerância, e que nunca tratou adversário como inimigo. Trabalhou por todas as regiões do país, somou o Brasil, criou uma economia forte. É um exemplo daquilo que eu quero fazer”, disse o candidato à Presidência, ressaltando que não vai governar para partidos, mas para todo o povo. O tucano prometeu ainda criar uma economia forte, para expandir o emprego, distribuir renda e proteger os desamparados. “Meu projeto é inspirado na figura de Juscelino”, ressaltou. Questionado se Lula estaria agindo indevidamente ao citar também JK em seus discursos, Serra respondeu: “Eu nunca vi o Juscelino numa campanha atacando pessoalmente adversários. Esse era um exemplo de conduta boa de um presidente da República.”

Destacando o artesanato e o potencial turístico e universitário da região, o presidenciável prometeu tirar do papel a faculdade de medicina do município. “Aqui é a porta de entrada para o Vale do Jequitinhonha, que precisa de investimento do Brasil e de Minas Gerais”, disse Serra.

O tucano também reforçou a proposta de aumentar o salário mínimo para R$ 600 e de reajustar os benefícios da Previdência em 10%, além de trabalhar para a recuperação da saúde, da segurança e da educação. “O Brasil pode muito mais nessas áreas. De fato, ele ficou para trás nessas áreas”, disse.

É um homem que governou o Brasil com competência, generosidade, tolerância, e que nunca tratou adversário como inimigo”
José Serra, candidato à Presidência da República

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24 de set. de 2010

Dilma esbanja otimismo, Serra ataca e Marina Silva comemora crescimento

Correio Braziliense - Ivan Iunes | Josie Jeronimo

Embora não economize nas recomendações para que a equipe de campanha evite “subir no salto alto”, a candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff, já dá, nas entrelinhas, as eleições de 3 de outubro como favas contadas. Ela afirmou ontem que a margem de vantagem que detém nas pesquisas é confortável e não pode ser revertida em nove dias. “Está muito perto. Vocês podem ter certeza que a eleição vai ser muito boa para nós”, disse.

A aparente confiança é explicitada exatamente no momento em que uma pesquisa divulgada pelo Datafolha indicou queda de 12 para sete pontos na vantagem de Dilma em relação à soma dos outros concorrentes. A ameaça cada vez maior de um segundo turno surge depois das acusações de tráfico de influência envolvendo Erenice Guerra, ex-assessora direta da petista e ex-ministra da Casa Civil, mas a candidata minimizou o levantamento. “É um resultado dentro da margem de erro.”

Na reta final do primeiro turno, o deputado Antônio Palocci (PT-SP), homem forte da coordenação de campanha da presidenciável, acompanhou Dilma ontem durante encontro com representantes da Confederação Nacional de Saúde, em Brasília. A aparição de Palocci ao lado da candidata causou uma saia justa. Dilma foi questionada por um humorista se o ex-ministro José Dirceu agiria nos bastidores de sua campanha enquanto Palocci aparecia “na cara dura”. A petista se recusou a responder a pergunta.

Apesar do discurso de serenidade dos petistas, a campanha de Dilma ingressou com pedido de abertura de inquérito no Ministério Público para apurar se vídeos divulgados na internet contra a candidata constituem prática de crime eleitoral. A coordenação de campanha encaminhou ação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) solicitando a retirada dos vídeos, hospedados no YouTube.

Estratégia tucana
Na TV e no rádio, Serra segue com os ataques a Dilma Rousseff. As peças mais agressivas, no entanto, são as mesmas já veiculadas, associando Dilma a Erenice e a José Dirceu e questionando a capacidade da candidata de governar o país tendo falido uma “lojinha de R$ 1,99”, em referência ao negócio fracassado da petista criado em Porto Alegre no fim dos anos 1990.

O programa de ontem ainda trouxe críticas do ex-secretário de Fazenda municipal da capital gaúcha Polibio Braga, que sucedeu Dilma no cargo. De acordo com ele, a petista teria deixado o caixa do município “sem um centavo”, com os salários dos funcionários a vencer na semana seguinte e sem previsão de receita para o pagamento do 13° salário dos servidores.

Outra menção ao episódio envolvendo Erenice Guerra foi feita pelo próprio candidato tucano em visita a Sinop (MT). “O que vem incomodando essa gente é que a imprensa vem apresentando notícias que mostram abusos, nepotismo e maracutaia com o dinheiro público. Essa imprensa incomoda os donos do poder. E é só isso. Aqueles que perseguem hoje a imprensa vão mais tarde perseguir credos religiosos. E essa perseguição não tem fim”, acusou Serra.

A propaganda de Dilma não fez referência ou deu explicação para os escândalos recentes envolvendo Erenice. A candidata se limitou a apresentar realizações do governo federal. Já Marina Silva (PV), que registrou crescimento de 2% na última pesquisa do Datafolha, explorou essa arrancada no horário eleitoral. Disse que é a única força política que cresce no país e a única que pode enfrentar a corrupção e o atraso político do Brasil. Ontem, Marina visitou Mato Grosso, onde fez campanha. Devido ao clima seco e o intenso calor, que chegou aos 43ºC, uma caminhada prevista em Cuiabá foi cancelada.

OUTRO LEVANTAMENTO
A pesquisa Vox Populi/Band/IG divulgada ontem mostra um cenário inalterado na disputa pela Presidência, ao contrário do último levantamento do instituto Datafolha, que apontou uma queda da vantagem de Dilma Rousseff (PT) de cinco pontos percentuais em relação à soma dos demais concorrentes. Na Vox Populi, Dilma continua com 51% das intenções de voto. José Serra (PSDB) manteve os mesmos 24% e Marina Silva (PV) cresceu de 8% para 10%. Pelo resultado, Dilma venceria já no primeiro turno das eleições. Três mil pessoas foram ouvidas pelo Vox Populi, entre os dias 18 e 21 deste mês. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 31.705/10.

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23 de set. de 2010

Dilma diz que pretende facilitar parcerias com setor privado para melhorar atendimento no SUS

Agência Brasil


Brasília - A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse hoje (23/9) que, caso seja eleita, irá facilitar a articulação entre o setor público e privado para melhorar o atendimento no Sistema Único de Saúde (SUS).

“Vou adotar uma sistemática em relação ao diálogo. Serão soluções construídas juntas. O SUS é um sistema complexo, com problemas sérios de financiamento. E efetivar o SUS significa articular essa relação”, disse ao sair de reunião com a Confederação Nacional de Saúde (CNS), em Brasília.

Dilma considerou como principal desafio no setor o atendimento especializado. E citou como exemplo a Rede Sarah, especializada em reabilitação. “Darei todo incentivo para tornar a Rede Sarah um ponto de referência. Levar a Rede Sarah para todas as regiões”, disse.

A candidata também defendeu a ampliação de unidades de pronto-atendimento 24 horas como forma de descongestionar o atendimento nos hospitais e também a Rede Cegonha, para o atendimento de gestantes.

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Dilma: Tolerância é fundamental para relação democrática entre instituições

Agência Brasil


Brasília - A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, disse hoje (24/9) que posicionamentos divergentes são característicos da democracia e que tolerância é a melhor palavra para a uma relação democrática entre as instituições. O comentário foi feito em referência às críticas que o “Ato Contra o Golpismo Midiático”, organizado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo, tem recebido.

“Sou contra proibir ato. Temos de conviver com eles. Não vou desautorizar nenhuma pergunta da imprensa e ato nenhum”, disse Dilma Rousseff. “Posicionamentos divergentes são absolutamente característicos da democracia. Tolerância é a melhor palavra para uma relação democrática. Não podemos fazer política com ódio. Isso não é clima adequado para um país que saiu há mais de 20 anos da ditadura”, completou Dilma Rousseff.

Ao sair de reunião com a Confederação Nacional de Saúde (CNS), em Brasília, Dilma ainda afirmou que não irá comentar nomes de possíveis ministros que farão parte de seu governo, caso seja eleita. Ao responder a uma pergunta de um jornalista sobre se o deputado e ex-ministro da Fazenda, Antônio Pallocci, voltaria a ocupar a pasta em seu governo, a candidata disse que não pretende discutir o assunto antes do resultado das eleições.

“Gosto muito do Palocci. Mas se eu discutir [nomes de ministros] em algum momento antes de ganhar a eleição estaria colocando o carro na frente dos bois e subindo no salto alto”, disse.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/09/23/noticia_eleicoes2010,i=214445/DILMA+TOLERANCIA+E+FUNDAMENTAL+PARA+RELACAO+DEMOCRATICA+ENTRE+INSTITUICOES.shtml

Dilma se diz favorável à demissão de nomeados por Erenice por amizade

Correio Braziliense - Tiago Pariz

Diante da enxurrada de denúncias de empregos públicos distribuídos pela ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra para acomodar familiares e amigos, a presidenciável petista Dilma Rousseff defendeu a exoneração de todos os indicados pela antiga auxiliar. A última foi Paula Damas de Matos, filha do presidente dos Correios, David José de Matos, que tinha função comissionada na pasta.

Dilma disse ser favorável à demissão das pessoas que tenham sido indicadas pelos critérios de parentesco ou amizade, que acabou sendo o principal meio de nomeação usado por Erenice Guerra na Secretaria Executiva da Casa Civil ou na chefia do Ministério. “Sou contra a indicação de parentes ou pelo critério de amizade”, afirmou a presidenciável petista, ao ser questionada se ela entende ser adequado que todos os indicados por Erenice no governo sejam exonerados.

Dilma negou, no entanto, que tenha indicado Erenice pelo critério de amizade. “Eu conheci a Erenice na transição. Ela era militante do PT no Distrito Federal há muito tempo”, afirmou. A ex-ministra da Casa Civil era consultora jurídica do Ministério de Minas e Energia e foi levada à Casa Civil por ter ganhado a confiança da candidata. Quando se discutia a indicação da substituta de Dilma, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a torcer o nariz para Erenice, mas acabou aceitando desde que ela tivesse menos poderes que Dilma. A saída foi deixar a coordenação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas mãos de Miriam Belchior, uma antiga assessora.

Na entrevista, Dilma tentou desvincular-se do protesto de centrais sindicais e movimentos sindicais contra a grande imprensa intitulado Ato contra o golpismo midiático. “Sou a favor da liberdade de imprensa. Quando achar que alguma coisa está errada, tenho o direito de fazer o meu protesto”, afirmou a petista. “Mas não tenho nada a ver com o ato”, emendou. A candidata disse não se incomodar com as críticas. “Eu sou pessoa que convive perfeitamente com a crítica. O que não podem querer é que eu aceite tudo calada. Calada, não vou aceitar. Eu vou fazer coisa boa que é o debate”, sustentou.

Dilma também evitou contrapor-se à posição do PT. “O meu partido pode falar isso, eu tenho a minha posição”, disse. A candidata também fez uma promessa em tom de brincadeira. “Posso prometer uma coisa. Se eleita, vocês podem criticar o dia inteiro”, afirmou.

Turismo
A presidenciável recebeu ontem integrantes do Conselho Nacional do Turismo e disse que pretende manter o Ministério do Turismo. Ela evitou responder se pretende fazer um enxugamento de pastas na Esplanada. Também não disse se quer fazer uma revisão das atribuições da Casa Civil. Nos bastidores se discute uma reformulação na Presidência da República. Uma das ideias é colocar assessores diretos para as áreas de Segurança Pública e Assuntos Econômicos.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/09/23/noticia_eleicoes2010,i=214369/DILMA+SE+DIZ+FAVORAVEL+A+DEMISSAO+DE+NOMEADOS+POR+ERENICE+POR+AMIZADE.shtml

22 de set. de 2010

Propostas de José Serra gerariam custo de quase R$ 50 bilhões

Correio Braziliense - Josie Jeronimo


As promessas do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, de elevar o mínimo para R$ 600, ampliar o número de beneficiários e instituir o 13º do Bolsa Família custariam cerca de R$ 50 bilhões aos cofres públicos. O tucano aposta no discurso das bondades sociais para atrair o eleitorado de menor renda e também os aposentados. Em referência ao embate deste ano dos pensionistas com o governo para conseguir reajuste maior da aposentadoria, Serra ressaltou que, em seu governo, os idosos terão 10% de aumento.

O presidenciável é econômico com as palavras ao explicar de onde pretende tirar dinheiro para arcar com as promessas. Diz apenas que no Orçamento existem muitas “gorduras” e que se a “roubalheira” fosse extinta, haveria recursos para tudo. Os R$ 49,1 bilhões em despesas geradas com as promessas de Serra, no entanto, correspondem a todo montante de investimento previsto para o setor público em 2011, incluindo o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Previdência, Trabalho e Desenvolvimento Social seriam as pastas que sentiriam o maior impacto das políticas propostas por Serra. Só os gastos com aposentadorias e pensões, atualmente estimados em R$ 275,1 bilhões para o próximo ano, custariam R$ 17,8 bilhões a mais com o salário mínimo de R$ 600 (veja quadro). O impacto total na Previdência seria de R$ 25,7 bilhões.

Efeito cascata
O efeito cascata do reajuste do mínimo atinge também a concessão do seguro-desemprego. Na área trabalhista, o impacto estimado pela Consultoria de Orçamento do Senado é de R$ 2,7 bilhões. E para conceder o Bolsa Família a mais 15 milhões de famílias, seria preciso o aporte de R$ 15,8 bilhões.

O consultor de Orçamento do Senado José de Ribamar Pereira da Silva explica que na Lei Orçamentária Anual estão previstos cenários de impacto nos gastos globais do governo levando em conta valores do salário mínimo. “Cada R$ 1 de aumento no salário mínimo tem impacto de R$ 286,1 milhões no total do orçamento da Previdência”, exemplifica.

Na lista de promessas de Serra também estão a proposta de conceder bolsas para jovens de famílias beneficiárias do programa de renda estudarem e o projeto de triplicar o orçamento do Ministério da Cultura. Analistas afirmam que as iniciativas só seriam viáveis com cortes ou com a criação de impostos.

O coordenador da bancada do PSDB na Comissão de Orçamento, deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), afirma que o candidato fez estudo da peça prevista para 2011 e que a Lei de Diretrizes Orçamentárias concedeu ao presidente que será eleito em outubro o direito de decidir o valor do mínimo e a discussão final do plano de receitas e despesas da União. “Para que haja um salário de R$ 600, é evidente que tem que se fazer ajustes.”

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/09/22/noticia_eleicoes2010,i=214145/PROPOSTAS+DE+JOSE+SERRA+GERARIAM+CUSTO+DE+QUASE+R+50+BILHOES.shtml

20 de set. de 2010

Candidatos apelam à boa e velha carta

E-mails e redes sociais deram um toque de modernidade à campanha eleitoral este ano, mas há quem prefira reforçar o pedido de votos no mais tradicional estilo: pelos Correios

Correio Braziliense - Isabella Souto | Juliana Cipriani


Em um tempo em que todos se comunicam por redes sociais e até os e-mails perderam força diante da instantaneidade da troca de informações, vários candidatos a cargos públicos na eleição de outubro partiram para a boa e velha carta em casa para tentar uma maior proximidade com o eleitor. A tática implica desde mensagens direcionadas às pessoas até o envio de santinhos e material de campanha por mala direta. Já vale mandar até a cola do voto para não deixar que os eleitores esqueçam os números dos seus pretensos futuros representantes.

Época de campanha, as amizades se revelam. O vereador Ronaldo Gontijo (PPS), que agora tenta uma vaga de deputado estadual, é um que faz uso das correspondências. “Prezado (a) amigo (a)”, começa o parlamentar em texto enviado a uma eleitora. Gontijo informa sobre sua candidatura e usa um ar de intimidade. “Como você sabe, uma das principais funções de um deputado é legislar. Nesse assunto tenho uma experiência muito positiva”, escreve. Além da carta direcionada, o candidato manda ainda santinhos e um cartão com seu número de urna e os de outros colegas com quem faz dobradinha.

O ex-governador Aécio Neves (PSDB), que agora concorre a uma vaga no Senado, também pede voto “o caro amigo e à cara amiga”. Antes de falar da própria candidatura, agradece ao eleitor pela aprovação de sua gestão e apresenta a do governador Antonio Augusto Anastasia, que o sucedeu. Em seguida, pede votos para si e para o ex-presidente Itamar Franco (PPS), que também disputa o Senado. E se despede do eleitor com “um grande abraço para você e para sua família”.

A coligação de Anastasia ganhou uma “forcinha” também da seção mineira da Associação Brasileira dos Clubes da Melhor Idade (ABCMI). Em mala direta, a presidenta, Rita Félix Eugênio, pede votos para a chapa tucana para a realização do sonho de projetos para a pessoa idosa. Ao apresentar o nome de José Serra (PSDB) para a Presidência da República, ela diz que o tucano criou a vacinação para o idoso e os remédios genéricos. “Por acreditar nessa nova política é que reforço o meu pedido a vocês”, afirma Rita Eugênio. No verso da carta, um texto sobre Anastasia e a foto do candidato a governador ao lado de Aécio e Itamar.

Depoimentos
É um prazer apresentar… Quem recebeu esta carta não imagina que trata-se de uma propaganda eleitoral. Mas com um pouquinho de curiosidade para tirar a etiqueta, vem a continuação: “…quem tem trabalho para mostrar”, ao lado de uma foto do deputado estadual Sávio Souza Cruz (PMDB), que concorre à reeleição em Minas. Um depoimento de apoio do ex-presidente do Sindicato dos Servidores Municipais de Belo Horizonte (Sindibel), Robson Itamar, diz que “Sávio tem presença destacada na Assembleia”, especialmente “nas questões do serviço e dos servidores públicos”.

O deputado estadual mineiro Délio Malheiros (PV), que tenta a reeleição, também se dirige ao “prezado amigo” e conta que há 25 anos atua como o advogado do consumidor. Além de santinhos dele e do seu candidato apoiado a deputado federal, ele envia adesivos para que o eleitor possa fazer seu nome ecoar pelas ruas. Outro que mostra os feitos na carta aos eleitores é o petista André Quintão, que reforça sua vinculação com projetos na área de participação popular. O deputado estadual João Leite (PSDB) é mais generoso. Além de pedir o voto do eleitor para se reeleger, dedica grande parte da carta a apresentar o governador Antonio Anastásia, para quem pede a adesão de “amigas e amigos”. O tucano também envia a cola com os números da coligação para “facilitar” a vida do eleitor.

Mais moderno — ou talvez com mais dinheiro no bolso —, o deputado federal Leonardo Quintão (PMDB) está investindo em ligações telefônicas para os eleitores, quando uma funcionária da campanha pergunta qual o problema que o eleitor enfrenta em seu bairro. Dias depois, chega à casa uma correspondência personalizada com texto citando o nome e bairro do eleitor, além de relatar a conversa que teve com sua funcionária. O parlamentar agradece o eleitor por ter atendido sua funcionária de telemarketing e diz que ela lhe contou como foi a conversa. A carta traz ainda menções aos candidatos da coligação a governador, presidente e senador. O eleitor recebe também um DVD em que apresenta a sua trajetória política e propostas para um novo mandato na Câmara dos Deputados e adesivos da campanha.

O volume de correspondências enviados por candidatos mineiros nessas eleições é grande. De acordo com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos em Minas Gerais, até o fim do período eleitoral, devem ser postados mais de 7 milhões de correspondências por políticos no estado. Os contratos envolvem envio de carta, telegrama, impresso especial, mala direta, Sedex e o serviço de encomenda econômica dos Correios (PAC).

Até o mês passado, foram postados quase 1,5 milhão de correspondências eleitorais. Somente em malas diretas e impressos, houve um incremento de 16% nos serviços. Em setembro a expectativa é de um aumento de 65% no volume de envio desses objetos em comparação ao mesmo período do ano passado.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/09/20/noticia_eleicoes2010,i=213752/CANDIDATOS+APELAM+A+BOA+E+VELHA+CARTA.shtml

Serra usa artilharia contra Dilma

Correio Braziliense

O candidato à Presidência da República, José Serra (PSDB), reivindicou a autoria de obras de urbanização em Paraisópolis, segunda maior favela de São Paulo. Há uma semana, a petista Dilma Rousseff esteve no local e defendeu que a maior parte dos recursos investidos para obras no local eram provenientes do governo federal. “Nós fizemos tudo em Paraisópolis. Aqui, em matéria de PT, de governo federal, o que foi feito é próximo a zero”, defendeu Serra. O tucano fez caminhadas pelo bairro e visitou um conjunto habitacional.

O tucano também aproveitou a agenda para criticar a gestão de Dilma Rousseff na Casa Civil. Ontem, a petista declarou desconhecer a atuação de Israel Guerra, filho de sua ex-assessora Erenice Guerra, como lobista. “De duas, uma: ou ela, como dirigente, não é capaz, porque um esquema que dura quatro, cinco, seis, sete anos, quem está em cima não saber, então ela não tem capacidade de dirigir. Ou então, ela é cúmplice. Não há uma terceira hipótese”, apontou Serra.

Marina
Em Porto Alegre, a candidata Marina Silva (PV) decidiu centrar fogo no presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que acusou a imprensa de fabricar denúncias e atuar como um partido político.

Ela defendeu a liberdade de expressão. “Eu posso até discordar da crítica que me é feita. Mas eu vou defender com profundidade que as pessoas tenham o direito de manifestar sua posição.” A agenda no Sul incluiu visita ao Acampamento Farroupilha e caminhada pelo Parque da Redenção, na capital gaúcha. No fim da tarde, ela seguiu para Pelotas.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/09/20/noticia_eleicoes2010,i=213751/SERRA+USA+ARTILHARIA+CONTRA+DILMA.shtml

Dilma recusa convite de Álvaro Dias para prestar depoimento na CCJ

Candidata do PT à Presidência desqualifica iniciativa do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) de convidá-la para falar sobre o Caso Erenice no Senado. "Ele tenta tumultuar as eleições"

Correio Braziliense - Diego Abreu

Antes mesmo de ser oficialmente convidada para prestar esclarecimentos no Senado sobre suposto esquema de tráfico de influência na Casa Civil, a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, afirmou não irá depor. Ontem, o senador Alvaro Dias (PSDB-PR) informou que vai encaminhar requerimento em que convidará Dilma a prestar depoimento na Comissão de Constituição e Justiça.

Em entrevista coletiva antes de uma carreata na manhã de ontem, em Ceilândia, a candidata disse que jamais aceitaria qualquer convite do senador tucano. “Isso não é um convite. É uma tentativa do senador Alvaro Dias de criar um factoide. Ele sistematicamente tenta tumultuar estas eleições. Eu já fui acusada de tudo, mas convite do senador Alvaro Dias eu não aceito nem para um cafezinho”, frisou Dilma.

A presidenciável do PT também voltou a negar que tenha envolvimento com as denúncias que resultaram na demissão da ex-ministra da Casa Civil, Erenice Guerra. Dilma citou ainda que a Casa Civil, pasta da qual foi ministra até o fim de março, não tem qualquer relação com as licitações do Ministério da Saúde.

Reportagem publicada neste fim de semana pela revista Veja diz que funcionários da Casa Civil, entre eles Vinícius Castro, apontado como sócio do filho de Erenice, teriam recebido propina de R$ 200 mil para facilitar compras do medicamento Tamiflu, usado no tratamento da gripe suína. “Os processos da Saúde nada têm a ver com a Casa Civil. Estranha essa reportagem. A negociação foi feita diretamente entre a Saúde e o laboratório. O preço foi reduzido em 76%. E a Casa Civil não tem nenhuma vinculação com os processos licitatórios da Saúde”, declarou.

Questionada se teve a sensação de ter sido traída por Vinícius Castro, Dilma respondeu, irritada, que nem o conhecia. “Eu não nomeei esse senhor, não o conhecia, não tenho por que me sentir traída, porque ele não era da minha confiança. Ele era da confiança dela (Erenice) e não da minha.” Quando a mesma pergunta foi feita em relação a Erenice, Dilma se esquivou. Disse que não fará julgamentos antes de os fatos serem apurados.

Carreata
Com uma hora e meia de atraso, Dilma iniciou a carreata em Ceilândia, ao lado dos candidatos a governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz (PT) e a vice Tadeu Filippelli (PMDB), além dos postulantes ao Senado Cristovam Buarque (PDT) e Rodrigo Rollemberg (PSB). A previsão era de percorrer seis quilômetros pelas ruas de Ceilândia, mas o trajeto de Dilma foi interrompido em meia hora, com menos de três quilômetros, depois que o jipe onde ela estava apresentou problemas mecânicos. O motorista disse que o carro afogou. Seguranças do PT afirmaram que o motor do jipe fundiu.

Para contornar o constrangimento, a candidata fez um discurso de improviso de dentro do jipe, em uma área residencial de Ceilândia. “Quero dizer para vocês que o presidente Lula envia para Ceilândia seu mais forte abraço. Ele disse pra mim: `Dilma, você vai lá em Ceilândia? Pois saiba, Dilma, que em Ceilândia é que está o meu povo. O povo que é igual a mim, o povo que veio, como eu, do Nordeste”, discursou.

Depois do breve discurso, Dilma deixou a carreata. Um dos assessores da candidata afirmou que ela estava sentindo dores no pé direito, que está imobilizado. No começo da semana passada, ela torceu o tornozelo pé durante uma caminhada na esteira.

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Presidente dos Correios está na mira por ser amigo de Erenice

Presidente dos Correios indicado pela ex-ministra da Casa Civil vive momento na "corda-bamba" por conta da relação com a petista

Correio Braziliense - Josie Jeronimo

À medida que os escândalos se descortinam, caem um a um parentes e aliados da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, apontada como protagonista de um suposto esquema de tráfico de influência envolvendo a estrutura ministerial. Todos os que chegaram ao governo pelas mãos dela vivem um momento de “corda bamba”. Este é o caso do presidente dos Correios, o engenheiro David José de Matos. O nome de David foi levado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva diretamente por Erenice. “Se é uma pessoa da sua confiança…”, disse Lula, segundo o próprio David, quando a ex-ministra indicou o amigo de mais de 30 anos para chefiar os Correios. Lula vive o constrangimento de conviver com indicados por Erenice — até a semana passada, a toda-poderosa da Esplanada —, sem poder afastá-los, para não passar recibo do lastro de irregularidades iniciados na Casa Civil, pasta de onde saiu sua aposta para as eleições deste ano, a ex-ministra Dilma Rousseff (PT).

David repete que não pensa em deixar o cargo. De acordo com sua assessoria, o clima de trabalho nos Correios é “normal” e a decisão do afastamento cabe ao presidente Lula. Mas a ligação umbilical(1) do presidente dos Correios com a ex-ministra é demonstrada pela própria história dos dois. A amizade começou da Eletronorte, Davi foi o primeiro a estender a mão à Erenice. Ajudou na promoção da amiga quando ganhou um departamento na estatal de energia. Depois, os dois foram trabalhar juntos na Companhia de Metrô do Distrito Federal.

O cruzamento dos currículos de David e Erenice foi interrompido quando ela foi para o Ministério de Minas e Energia e ele continuou no Governo do Distrito Federal, conduzido pelo também amigo de décadas deputado Tadeu Filippelli (PMDB). No GDF, David passou pela Agência Reguladora de Águas, pela Secretaria de Obras e pela Companhia Urbanizadora. Na Novacap, apesar de não dividir mais o ambiente de trabalho com Erenice atuava no mesmo setor que o irmão da ex-ministra, José Euricélio Alves de Carvalho.

Enquanto Erenice galgava postos nos governo federal, David colecionava questionamentos no Tribunal de Contas do Distrito Federal apresentados durante suas gestões. Na Secretaria de Obras, o Ministério Público apurou supostas irregularidades em licitação para exploração de cemitérios e chegou a citar inicialmente o nome do atual presidente dos Correios no rol de autoridades responsáveis. Inquérito para apurar crime ambiental praticado pela secretaria também foi aberto contra David durante sua atuação no GDF. Depois de assumir a Casa Civil, Erenice devolveu o favor do passado e indicou David para os Correios.

Carta
Há menos de dois meses no cargo, David volta à pauta de crise envolvendo os Correios. Ontem, a assessoria da estatal confirmou que o Coronel Eduardo Artur Rodrigues entregará sua carta de demissão. O coronel, que ocupa o cargo de Diretor de Operações na empresa pública, é apontado como testa de ferro do empresário argentino Alfonso Rey, proprietário da Master Top Linhas Aéreas (MTA). A empresa de aviação colocou Israel Dourado Guerra, filho da ex-ministra, no centro da crise que culminou no afastamento de Erenice. Israel, ex-funcionário da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), teria ajudado a MTA a renovar concessão de voo e, posteriormente, sua empresa de consultoria firmou contrato com a firma de aviação que mediante pagamento de “taxa de sucesso” fechou pelo menos cinco contratos milionários com os Correios.

1 - Confiança
Em entrevista ao Correio publicada em 30 de julho deste ano, pouco antes de assumir a presidência dos Correios, David José de Matos afirmou que Erenice Guerra o chamou para os dois voltarem a trabalhar juntos. “Ela agora precisou, a pedido do presidente, fazer essa mudança nos Correios, me convocou para a gente voltar a trabalhar juntos. Não tinha como dizer não. Porque eu tenho certeza de que, se fosse o contrário, se eu precisasse dela, ela viria também. Essa relação de amizade, de confiança, acho que ajuda. Eu posso contar com ela, ela sabe que pode contar comigo.”

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