Tucano concedeu entrevista para a CBN nesta segunda-feira. Para ex-governador, reuniões do órgão se transformaram em 'espetáculos'.
O tucano José Serra abriu na manhã desta segunda-feira (10) uma série de entrevistas da Rádio CBN com os pré-candidatos à Presidência da República. Durante a entrevista, Serra defendeu um “estado musculoso” capaz de promover desenvolvimento e justiça social. Ele ainda disse que o Banco Central não é a "Santa Sé" e afirmou que as reuniões do Mercosul se transformaram em "espetáculos".
Ouça os principais trechos da entrevista
A entrevista com o pré-candidato tucano ocorreu entre 8h e 9h e foi conduzida pelo âncora do Jornal da CBN, Heródoto Barbeiro. Na próxima segunda-feira (17), a entrevistada será a petista Dilma Rousseff. A pré-candidata do PV Marina Silva será ouvida no dia 24. A ordem das entrevistas foi definida em sorteio.
Questionado sobre ser um político de direita ou esquerda, Serra disse que, do ponto de vista das análises tradicionais, se define como um político de esquerda. “Defendo um projeto de desenvolvimento nacional para o Brasil, com ativismo governamental”, disse. “Eu defendo um estado forte, não obeso, mas musculoso, no sentido de ter capacidade para ativar nosso desenvolvimento e a justiça social.”
Juros e Banco Central
Serra se mostrou irritado ao ser questionado pela jornalista Míriam Leitão sobre qual seria sua interferência nas decisões do Banco Central, após a jornalista comentar que há no meio econômico o receio de que ele se comporte também como presidente da instituição. Minutos antes na entrevista, o tucano havia criticado o Banco Central por não ter baixado ainda mais os juros durante momentos que ele julgou terem sido favoráveis durante a crise.
"A mesa da economia brasileira eu ajudei a erguer. Todo mundo que me conhece sabe que eu não vou virar a mesa coisa nenhuma”, disse. "O Banco Central não é a Santa Sé", afirmou, para explicar que eventuais erros da equipe econômica devem ser apontados e isso não pode ser tomado como quebra da autonomia da instituição.
"O que tem que dar é tranquilidade para o pessoal do Banco Central operar, não ficar interferindo a todo momento. Agora, se houver erros calamitosos, que é perfeitamente possível identificar, acho que o presidente (da República) tem que fazer sentir sua posição."
Mercosul
O tucano voltou a criticar a condução do Mercosul após ser perguntado sobre os problemas enfrentados recentemente no comércio entre Brasil e Argentina. "Eu acho que o Mercosul tem que ser reformado. Foram fixadas metas muito ambiciosas, queimando etapas", afirmou, citando que a União Européia levou muito mais tempo para consolidar as parcerias comercias. Para ele, antes de qualquer tentativa de avanço é preciso consolidar o órgão como um espaço de livre comércio.
"Acho importante salvar o Mercosul. Você tem que dar dois passos atrás para dar um adiante", disse. "As reuniões de presidentes passaram a ser mais um espetáculo. Avanço concreto não tem. É uma coisa que tem que ser reformada para ser fortalecida."
Previdência e centrais sindicais
Serra criticou o sistema previdenciário do governo Lula. Ele disse que em oito anos nada foi feito para melhorar e por isso o sistema tem déficit. Mas afirmou que se o presidente vetar a proposta de aumento para os aposentados, ele vai respeitar. Para ele, é necessário uma reforma ampla no setor, "que elimine privilégios e corrija injustiças".
O tucano disse ainda que pertende usar o diálogo com as centrais sindicais e não teme o fato de a pré-candidata do PT ser apoiada pelas duas maiores centrais. Ele lembrou a greve dos professores em São Paulo, mas disse que neste caso "foi algo partidário e não sindical".
Lula ao El País
A entrevista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao jornal espanhol "El País" foi comentada por Serra, que disse ter achado normal o fato dele ter dito que a candidata do PT ganharia as eleições. Entretanto, ele preferiu destacar o trecho no qual Lula afirma que, vença quem vencer, os rumos do Brasil não serão alterados. 'É uma afirmação importante, porque há um certo jogo, quase terrorismo, de dizer que se não ganha a candidata do Lula vai ter problemas (de estabilidade)."
Vídeo online
O pré-candidato encerrou a entrevista brincando com o fato de ter sido surpreendido com a transmissão para a internet, em vídeo, do encontro. “Estou preocupado com minha cara de sono”, disse.
http://g1.globo.com/politica/noticia/2010/05/serra-defende-estado-musculoso-e-critica-reunioes-do-mercosul.html
10 de mai. de 2010
Presidentes do PT e PSDB afirmam que partidos vetarão candidatos com "ficha suja"
Folha - DANIELA LIMA
da Reportagem Local
Os presidentes do PT, José Eduardo Dutra, e do PSDB, Sérgio Guerra, afirmaram nesta segunda-feira que seus partidos não darão legenda a candidatos que tenham "ficha suja". Os dois, no entanto, não sabem exatamente como farão para evitar que esses candidatos participem da eleição.
Segundo eles, seus partidos deverão se basear no projeto de lei que tramita na Câmara, e que deve ter os destaques restantes votados nesta semana. Um dos pontos já aprovados prevê tornar inelegíveis os condenados por decisão colegiada da Justiça (por mais de um juiz).
"Ninguém com ficha suja vai concorrer pelo PT. Agora, isso não quer dizer que o fato de o candidato ter processo vá impedi-lo de se candidatar pela legenda. Se você buscar um candidato que não responda a processo, talvez não ache nenhum", afirmou Dutra.
De acordo com o petista, o partido vai se apoiar no formulário do registro da candidatura que é entregue para o partido para rejeitar candidaturas.
Sérgio Guerra, por sua vez, disse acreditar que o PSDB terá poucos problemas com políticos "ficha suja". O método de rejeição, segundo ele, também será o documento entregue ao partido.
"Nosso partido já estava pensando sobre isso. Podemos, por exemplo, fazer avaliação das nominatas. A nossa referência vai ser o projeto que passou na Câmara."
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u732798.shtml
da Reportagem Local
Os presidentes do PT, José Eduardo Dutra, e do PSDB, Sérgio Guerra, afirmaram nesta segunda-feira que seus partidos não darão legenda a candidatos que tenham "ficha suja". Os dois, no entanto, não sabem exatamente como farão para evitar que esses candidatos participem da eleição.
Segundo eles, seus partidos deverão se basear no projeto de lei que tramita na Câmara, e que deve ter os destaques restantes votados nesta semana. Um dos pontos já aprovados prevê tornar inelegíveis os condenados por decisão colegiada da Justiça (por mais de um juiz).
"Ninguém com ficha suja vai concorrer pelo PT. Agora, isso não quer dizer que o fato de o candidato ter processo vá impedi-lo de se candidatar pela legenda. Se você buscar um candidato que não responda a processo, talvez não ache nenhum", afirmou Dutra.
De acordo com o petista, o partido vai se apoiar no formulário do registro da candidatura que é entregue para o partido para rejeitar candidaturas.
Sérgio Guerra, por sua vez, disse acreditar que o PSDB terá poucos problemas com políticos "ficha suja". O método de rejeição, segundo ele, também será o documento entregue ao partido.
"Nosso partido já estava pensando sobre isso. Podemos, por exemplo, fazer avaliação das nominatas. A nossa referência vai ser o projeto que passou na Câmara."
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u732798.shtml
Serra diz que BC não é a Santa Sé e se rotula candidato de esquerda
Folha - da Reportagem Local
O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou nesta segunda-feira que a taxa de juros no país deveria ter sido reduzida no passado e destacou que o Banco Central não é a Santa Sé, ao comentar sobre a autonomia do BC.
Serra demonstrou irritação ao ser questionado sobre também agir como presidente do BC, se eleito. O tucano defendeu a autonomia do BC, mas afirmou que se houver "erros calamitosos", o presidente deve interferir e opinar. "O presidente tem que fazer sentir sua posição."
"O Banco Central não é a Santa Sé. Não sou contra incentivos tributários, mas é preciso um mecanismo que não puna os municípios", disse ele em entrevista à rádio CBN.
Segundo ele, o Brasil continua com a maior taxa de juros do mundo. Como alternativa, defendeu uma política de médio e longo prazo para evitar a alta da taxa como mecanismo de conter a inflação.
Serra foi questionado sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter dito, em entrevista ao jornal espanhol "El País", sobre a certeza da vitória do PT nas eleições. O tucano afirmou que isso é normal, estranho seria Lula ter dito o contrário, e destacou que mais importante foi a declaração de que qualquer candidato que vencer as eleições não trará "nada de absurdo" para o Brasil.
Para o tucano, essa foi uma afirmação importante porque é quase um "jogo de terrorismo" dizer que se o candidato do PT não vencer, haverá uma calamidade no país. "O Lula não deve estar preocupado, tanto como imaginam, se a candidata dele [Dilma Rousseff] não ganhar."
Serra também defendeu um estado forte, "musculoso, mas não obeso", e afirmou que do ponto de vista da análise convencional, é de esquerda. "Defendo um projeto de desenvolvimento nacional para o Brasil, defendo o ativismo governamental."
O tucano afirmou que, se eleito, irá criar o Ministério da Segurança. "É uma coisa indispensável no Brasil, o consumo de drogas e o tráfico de armas é alimentando no exterior. O governado federal tem que jogar, não pode se esquivar mais."
Serra destacou como suas prioridades a segurança, a saúde e a educação. Segundo ele, o Bolsa Família deve ser mantido. "Ele ajuda os necessitados, mas precisa ser fortalecido."
Vice
O tucano evitou comentar sobre o nome que irá compor sua chapa como vice. "Não estou me metendo muito nesse assunto. Vai ser alguém da base aliada, mas qualquer coisa que eu disser aqui vai dar margem à fofoca."
Serra afirmou que não vai lotear cargos e nem aparelhar o Estado com o PSDB.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u732677.shtml
O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou nesta segunda-feira que a taxa de juros no país deveria ter sido reduzida no passado e destacou que o Banco Central não é a Santa Sé, ao comentar sobre a autonomia do BC.
Serra demonstrou irritação ao ser questionado sobre também agir como presidente do BC, se eleito. O tucano defendeu a autonomia do BC, mas afirmou que se houver "erros calamitosos", o presidente deve interferir e opinar. "O presidente tem que fazer sentir sua posição."
"O Banco Central não é a Santa Sé. Não sou contra incentivos tributários, mas é preciso um mecanismo que não puna os municípios", disse ele em entrevista à rádio CBN.
Segundo ele, o Brasil continua com a maior taxa de juros do mundo. Como alternativa, defendeu uma política de médio e longo prazo para evitar a alta da taxa como mecanismo de conter a inflação.
Serra foi questionado sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter dito, em entrevista ao jornal espanhol "El País", sobre a certeza da vitória do PT nas eleições. O tucano afirmou que isso é normal, estranho seria Lula ter dito o contrário, e destacou que mais importante foi a declaração de que qualquer candidato que vencer as eleições não trará "nada de absurdo" para o Brasil.
Para o tucano, essa foi uma afirmação importante porque é quase um "jogo de terrorismo" dizer que se o candidato do PT não vencer, haverá uma calamidade no país. "O Lula não deve estar preocupado, tanto como imaginam, se a candidata dele [Dilma Rousseff] não ganhar."
Serra também defendeu um estado forte, "musculoso, mas não obeso", e afirmou que do ponto de vista da análise convencional, é de esquerda. "Defendo um projeto de desenvolvimento nacional para o Brasil, defendo o ativismo governamental."
O tucano afirmou que, se eleito, irá criar o Ministério da Segurança. "É uma coisa indispensável no Brasil, o consumo de drogas e o tráfico de armas é alimentando no exterior. O governado federal tem que jogar, não pode se esquivar mais."
Serra destacou como suas prioridades a segurança, a saúde e a educação. Segundo ele, o Bolsa Família deve ser mantido. "Ele ajuda os necessitados, mas precisa ser fortalecido."
Vice
O tucano evitou comentar sobre o nome que irá compor sua chapa como vice. "Não estou me metendo muito nesse assunto. Vai ser alguém da base aliada, mas qualquer coisa que eu disser aqui vai dar margem à fofoca."
Serra afirmou que não vai lotear cargos e nem aparelhar o Estado com o PSDB.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u732677.shtml
Criticado até por marqueteiros, horário eleitoral custa R$ 850 milhões
Folha
PLÍNIO FRAGA
da Sucursal do Rio
UIRÁ MACHADO
da Reportagem Local
O chamado horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão custará aos cofres públicos --em isenções tributárias previstas em lei-- quase R$ 900 milhões. E, para dois dos mais conhecidos marqueteiros do país, poderia ser extinto.
Duda Mendonça e Antonio Lavareda afirmam que as inserções eleitorais (propagandas curtas) são importantes na campanha, mas os dois programas diários de 25 minutos cada um encarecem as disputas, têm efeito limitado e poderiam ser substituídos por debates temáticos entre os candidatos.
"Programa eleitoral em bloco só serve para encarecer campanha. Não tem papel de persuasão. Eleitor não presta atenção e, quando presta, é pouco afetado", diz Lavareda, 76 campanhas no currículo. "Para ser persuadido, o eleitor não deve estar ciente de que está sob tentativa de convencimento."
Na eleição de 2006, só os candidatos de PT e PSDB declararam ter gasto cerca de R$ 20 milhões na produção da propaganda para rádio e televisão, numa campanha em que juntos assumiram oficialmente desembolso de R$ 186 milhões.
"Não faz sentido nem do ponto de vista teórico nem do ponto de vista prático. Mas marqueteiros e políticos são contra fragmentar o programa", diz Lavareda.
O publicitário Duda Mendonça, mais de 45 campanhas, diz que os programas poderiam ser substituído por debates. "Seriam debates ao vivo, em rede obrigatória, temáticos."
Ele reconhece que a proposta tem poucas chances de ser implementada. "Por que não muda isso? Porque no debate é onde o candidato aparece mais nu e cru. Tem de enfrentar o estresse, o argumento."
Lavareda concorda com essa sugestão. Para ele, há um paradoxo nas democracias modernas: "Exige-se um nível fantástico de compreensão, mas as pessoas não conseguem se informar a respeito de tudo".
Horário "gratuito"
De acordo com levantamento realizado pela ONG Contas Abertas, a Receita Federal deixará de arrecadar neste ano R$ 856.359.976,86 em razão do horário eleitoral gratuito --dinheiro suficiente para custear um ano de estudo para 635 mil alunos, um contingente de estudantes de rede pública de uma grande capital.
A legislação eleitoral permite que as emissoras de rádio e TV deduzam do Imposto de Renda 80% do que receberiam caso o período destinado ao horário gratuito fosse vendido para propaganda comercial.
As rádios e as TVs precisam comprovar, por meio de nota fiscal emitida na véspera do horário eleitoral, o valor cobrado pelos comerciais. Essa nota não pode ser discrepante de outras operações com a iniciativa privada nos 30 dias anteriores e 30 dias posteriores a essa data.
Com base no montante encontrado, estima-se quanto a emissora perdeu por ter cedido o tempo. O valor é subtraído do faturamento da emissora antes de ser calculado o imposto.
Desde 2002, a União já deixou de arrecadar R$ 3,65 bilhões em razão do horário eleitoral gratuito.
arte/Folha
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u732592.shtml
9 de mai. de 2010
FHC diz que não descarta chapa Serra-Aécio
DANIELA LIMA
da Reportagem Local
Uma das maiores lideranças políticas do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que ainda não descarta a possibilidade de os tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) fecharem uma chapa para concorrer ao Palácio do Planalto nas eleições deste ano. Todos os partidos têm até o dia 30 de junho para apresentar oficialmente os nomes que participarão da corrida eleitoral.
A declaração foi dada em entrevista a Kennedy Alencar, da Folha, no programa "É Notícia", transmitido pela Rede TV, que vai ao ar esta noite. "A grande virada do PSDB foi esse momento de unidade. Aécio tem um papel muito importante nisso e terá um papel importante nas negociações das coligações. Não descarto o Aécio vice", afirmou FHC.
Em dezembro do ano passado, o ex-governador de Minas Gerais anunciou que não concorreria à Presidência nessas eleições. Na época, Aécio e Serra disputavam dentro do PSDB quem encabeçaria a chapa do partido na corrida presidencial.
Mas no fim de 2009 o mineiro abriu mão da disputa, e disse que seria candidato ao Senado pelo seu estado, abrindo caminho para Serra. Desde então, Aécio nega que aceitará ser vice do tucano, embora pregue a unidade do partido e garanta apoio para que o ex-governador de São Paulo consiga a maioria dos votos no colégio eleitoral mineiro.
Durante a entrevista, Fernando Henrique disse ainda que sempre considerou o presidente Lula uma pessoa "excepcional", mas que a biografia dele não poderá ser transferida para a candidata do PT à sucessão, Dilma Rousseff. "A biografia do Lula não se transfere. O Lula é o Lula e tem uma história. Eu tenho outra, o Serra tem outra e a Dilma tem outra. Não há transferência de biografia", ressaltou.
O ex-presidente fez elogios a Serra, pré-candidato tucano. "O Serra tem luz própria. Para ele é mais fácil dizer 'eu sou capaz, eu já fiz, eu sou um líder'. A outra não tem como dizer que liderou. Não é uma crítica pessoal, mas ela nunca esteve à frente. Liderar na burocracia é diferente, porque você tem o apoio do presidente", explicou.
Ainda sobre a sucessão presidencial, Fernando Henrique disse que, na avaliação dele, a presença de Lula no palanque de Dilma Rousseff é prejudicial para a campanha da candidata petista. "Parece que sem ele ela não anda", avaliou.
Nesse caso, o ex e o atual presidente parecem discordar. Na última sexta-feira, Lula disse que Dilma Rousseff ainda não cresceu nas pesquisas de intenção de voto porque ele ainda não pediu votos para ela.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u732547.shtml
da Reportagem Local
Uma das maiores lideranças políticas do PSDB, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse que ainda não descarta a possibilidade de os tucanos José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) fecharem uma chapa para concorrer ao Palácio do Planalto nas eleições deste ano. Todos os partidos têm até o dia 30 de junho para apresentar oficialmente os nomes que participarão da corrida eleitoral.
A declaração foi dada em entrevista a Kennedy Alencar, da Folha, no programa "É Notícia", transmitido pela Rede TV, que vai ao ar esta noite. "A grande virada do PSDB foi esse momento de unidade. Aécio tem um papel muito importante nisso e terá um papel importante nas negociações das coligações. Não descarto o Aécio vice", afirmou FHC.
Em dezembro do ano passado, o ex-governador de Minas Gerais anunciou que não concorreria à Presidência nessas eleições. Na época, Aécio e Serra disputavam dentro do PSDB quem encabeçaria a chapa do partido na corrida presidencial.
Mas no fim de 2009 o mineiro abriu mão da disputa, e disse que seria candidato ao Senado pelo seu estado, abrindo caminho para Serra. Desde então, Aécio nega que aceitará ser vice do tucano, embora pregue a unidade do partido e garanta apoio para que o ex-governador de São Paulo consiga a maioria dos votos no colégio eleitoral mineiro.
Durante a entrevista, Fernando Henrique disse ainda que sempre considerou o presidente Lula uma pessoa "excepcional", mas que a biografia dele não poderá ser transferida para a candidata do PT à sucessão, Dilma Rousseff. "A biografia do Lula não se transfere. O Lula é o Lula e tem uma história. Eu tenho outra, o Serra tem outra e a Dilma tem outra. Não há transferência de biografia", ressaltou.
O ex-presidente fez elogios a Serra, pré-candidato tucano. "O Serra tem luz própria. Para ele é mais fácil dizer 'eu sou capaz, eu já fiz, eu sou um líder'. A outra não tem como dizer que liderou. Não é uma crítica pessoal, mas ela nunca esteve à frente. Liderar na burocracia é diferente, porque você tem o apoio do presidente", explicou.
Ainda sobre a sucessão presidencial, Fernando Henrique disse que, na avaliação dele, a presença de Lula no palanque de Dilma Rousseff é prejudicial para a campanha da candidata petista. "Parece que sem ele ela não anda", avaliou.
Nesse caso, o ex e o atual presidente parecem discordar. Na última sexta-feira, Lula disse que Dilma Rousseff ainda não cresceu nas pesquisas de intenção de voto porque ele ainda não pediu votos para ela.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u732547.shtml
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