25 de abr. de 2010

Ciro avisa que não pretende se empenhar por Dilma

AE - Agência Estado

Prestes a ver o PSB negar-lhe a legenda para disputar a Presidência, o deputado federal Ciro Gomes (CE) sinalizou que não vai trabalhar ostensivamente pela candidatura da petista Dilma Rousseff à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A correligionários, ele avisou que pretende seguir a orientação do PSB - que deverá formalizar o apoio a Dilma em dois dias. Deixou claro, no entanto, que seu empenho na campanha da petista será "muito discreto".

Ciro confidenciou a amigos que pretende viajar para o exterior assim que passar o turbilhão que envolve sua pré-candidatura à Presidência e garante que não será candidato nas eleições de outubro. O deputado disse ainda que vai se "aquietar" e sair da política "por pelo menos um longo tempo". "Vou escrever, vou ler, olhar para os meus filhos e minha mulher", resumiu.

Ao mesmo tempo em que faz "corpo mole" pela eleição de Dilma, o deputado deixa claro que vai se dedicar intensamente a pelo menos três campanhas eleitorais. A promessa é trabalhar com afinco na reeleição de seu irmão Cid Gomes (PSB) ao governo do Ceará, na eleição da senadora Patrícia Saboya (PDT-CE), sua ex-mulher, para Câmara, e na reeleição de seu padrinho político, o senador tucano Tasso Jereissati (CE).

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,ciro-avisa-que-nao-pretende-se-empenhar-por-dilma,542809,0.htm

Dilma responde a Ciro e diz ter todas as credenciais para ser candidata

Folha - SERGIO TORRES
da Sucursal do Rio

A pré-candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, afirmou neste domingo que tem todas as credenciais para disputar o cargo. Dilma listou os cargos que já ocupou no governo ao comentar as críticas feitas pelo deputado Ciro Gomes. Na semana passada, Gomes disse que o pré-candidato tucano, José Serra, era mais preparado para a disputa porque já foi governador, prefeito e ministro.

"Eu respeito, tenho admiração, tenho amizade pelo Ciro Gomes. A opinião dele é opinião dele. No que se refere à posição do Ciro Gomes, não tenho o que comentar. (...) Da minha parte acho que tenho todas as credenciais para ser candidata à presidência", disse.

Dilma concedeu entrevista durante o Encontro Estadual do PT, na quadra da Portela, na zona norte do Rio. Ela lembrou que já foi secretária de Fazenda de Porto Alegre, secretária de Minas e Energia do Rio Grande do Sul, ministra de Minas e Energia e ministra-chefe da Casa Civil.

Além de comentar os cargos já ocupados anteriormente, Dilma disse que participou de todas as grandes lutas políticas do país, como a resistência à ditadura, as Diretas, o movimento pela Anistia e o ressurgimento da democracia.

"Tenho militado no PDT por um tempo e agora nos últimos 12 anos, 10 anos no PT. Então eu tenho a minha experiência política. Dirigi a Casa Civil e lá coordenei os programas de governo do presidente Lula. É assim que vou me apresentar", afirmou.

Sobre a definição de qual palanque deve ocupar no Rio de Janeiro, Dilma disse que o palanque do governador Sérgio Cabral é o único do Partido dos Trabalhadores do Rio. Sobre a possibilidade de subir no palanque do pré-candidato do PR ao governo do Estado, Anthony Garotinho, Dilma disse que "no que se refere a outros palanques, a coordenação da minha campanha e todos os partidos da base aliada vão decidir as condições, se vai haver algum outro palanque", disse.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u725697.shtml

Dilma tem encontro com artistas e visita quadra da Portela no Rio

Folha - SÉRGIO TORRES
da Sucursal do Rio

A pré-candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, se reuniu na manhã de hoje com artistas no Rio de Janeiro. O encontro foi organizado pelo compositor Wagner Tiso e foi realizado em um hotel em Ipanema, zona sul do Rio.

Além de Tiso, estiveram presentes artistas como Cristina Pereira, Hugo Carvana, o arranjador e compositor Rildo Hora, o artista plástico Xico Chaves e o cineasta Silvio Tendler.

Dilma disse aos artistas presentes ao evento que sua aproximação com a cultura se dá através dos olhos, em referência ao fato de apreciar artes plásticas, teatro e literatura, entre outros.

Logo após o encontro, a pré-candidata segue para a quadra da Portela, para o Encontro Estadual do PT. O evento contará com a presença do governador Sérgio Cabral, do presidente do PT, José Eduardo Dutra e marcará também o lançamento da candidatura de Lindberg Farias (PT-RJ) ao Senado.

Farias afirmou ontem, após visitar o 58º Coneg (Conselho Nacional de Entidades Gerais) da UNE, que Dilma terá forte apoio no Rio. Segundo ele, ela conta com o apoio de mais de 80 prefeitos no Estado.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u725679.shtml

Dilma potencializa antiga resistência de mulheres ao PT

Folha - UIRÁ MACHADO
da Reportagem Local

Primeira mulher a ter chances reais de ser eleita presidente da República, Dilma Rousseff não consegue decolar entre as eleitoras e amplifica a tradicional resistência do público feminino ao candidato do PT.

A mais recente pesquisa Datafolha (dia 17) mostrou a petista em segundo lugar, com 30% das intenções de voto, contra 42% de José Serra (cenário sem Ciro Gomes, do PSB). Se consideradas só as mulheres, a diferença é bem maior: Dilma tem 25%, e o tucano, 43%. Entre os homens, a distância cai: 35% a 41%, com vantagem para o ex-governador paulista.

Mas a resistência das mulheres ao PT é histórica, e não uma particularidade de Dilma. Lula teve pior desempenho entre as eleitoras nas cinco vezes em que concorreu à Presidência.

Ao mesmo tempo, nas duas últimas eleições que disputou, Lula viu seus adversários fazerem mais sucesso entre as mulheres do que entre os homens, justamente quando elas eram a maior fatia do eleitorado (1998 foi a última eleição em que os homens eram maioria).

Em 2006, porém, Lula, então candidato à reeleição, parecia ter conquistado o público feminino. Ao final da campanha, o petista conseguiu reduzir para apenas quatro pontos a sua diferença de votação entre os homens e as mulheres --em 2002 eram dez pontos.

Como esperado, o desempenho eleitoral de Dilma até agora é inferior ao de Lula, mas é proporcionalmente pior entre as mulheres. Ou seja, ela reaviva --e potencializa-- velhos fantasmas do PT.

De olho nisso, a campanha de Dilma prepara estratégias para conquistar as mulheres.

Explicações

Para Teresa Sacchet, professora de ciência política e pesquisadora do Núcleo de Pesquisa de Políticas Públicas da USP, não é surpresa que candidatos petistas tenham melhor desempenho entre os homens.

"A origem do PT está no sindicalismo e nos movimentos sociais de 30 anos atrás. São setores em que predomina a cultura masculina. Naquela época, ainda mais do que hoje, os espaços políticos eram ocupados sobretudo por homens. Assim, não me surpreende que Lula sempre tenha tido maior apelo no público masculino", diz.

Sacchet também aponta fator específico de Dilma: ela é pouco conhecida. "Como as mulheres são menos informadas e como Serra é mais conhecido, é razoável que menos mulheres declarem intenção de votar em Dilma", afirma.

André Singer, cientista político da USP e ex-porta voz da Presidência (2003-2007), diz que "a desinformação explica muito da diferença de votação", mas acrescenta outro aspecto: um possível conservadorismo das mulheres.

"Por razões de ordem socioeconômica, provavelmente o segmento feminino ainda é mais conservador que o masculino, o que é uma constatação clássica da sociologia", diz.

Segundo Marlise Matos, chefe do Departamento de Ciência Política e coordenadora do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre a Mulher da Universidade Federal de Minas Gerais, não é possível dizer que as mulheres são mais conservadoras. Para ela, no caso de Dilma, pesa a imagem da candidata.

"A figura da Dilma representa uma dureza, é agressiva. Esse tipo de traço é bem-visto nos homens, mas não nas mulheres. E o público masculino se identifica com essa imagem, mas não o feminino. As eleitoras parecem se identificar mais com traços ligados ao cuidado, à saúde", afirma.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u725640.shtml

'Não quero acabar com o Mercosul', diz Serra

Folha - CLAUDIA ANTUNES
da Sucursal do Rio

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, disse que não quer acabar com o Mercosul, mas flexibilizá-lo de forma "negociada com nossos parceiros" e revelou que, se eleito, pretende dar funções "mais executivas" à Camex (Câmara de Comércio Exterior). Abaixo, a íntegra da entrevista, feita por e-mail.

Folha - O senhor tem falado numa política comercial mais agressiva. Por quê?

José Serra - As exportações brasileiras cresceram muito nos últimos anos até 2008, como consequência do aumento de preços e da demanda por nossas commodities. Conquistamos imensos superavits comerciais. Mas agora estamos em outra fase. Os superavits encolheram e o deficit em conta corrente está crescendo com grande velocidade, até porque as importações dispararam, junto com as remessas das empresa estrangeiras ao exterior, devido ao dólar barato. Nosso deficit em matéria de produtos industriais tornou-se gigantesco: nesse item, exportamos proporcionalmente menos e importamos proporcionalmente muito mais. Minha preocupação é livrar o Brasil de um estrangulamento externo futuro e sustentar o crescimento do emprego.

Folha - Se eleito, pretende mudar a estrutura do comércio externo?

Serra - Creio que é indispensável fortalecer e agilizar a Camex, dando-lhe funções mais executivas e mais agilidade nas decisões de comércio exterior. O presidente da Camex, subordinado ao presidente da República, deve pilotar as delegações do comércio exterior. A Camex foi criada no governo FH, em 1995, por sugestão minha. Reúne representantes de quatro ministérios, além do Banco Central, que interferem no comércio exterior. Desde então teve um papel positivo, mas muito aquém do que hoje se necessita.

Folha - Há outras mudanças a fazer?

Serra - A área de Defesa Comercial do Brasil ainda é pouco atuante e mal equipada, face às necessidades. Tal situação não vem só do governo do Lula. A abertura comercial do começo dos anos noventa exigia a organização e o fortalecimento dessa área, como acontece, por exemplo, nos Estados Unidos, na Coreia, na China.. Mas isso não foi feito na medida exigida. Há grande demora no exame dos pedidos em casos de defesa comercial. O governo é falho no apoio ás empresas. Os processos de antidumping contra a China demoram muito mais do que em outros países que não a reconhecem como economia de mercado. Há pouco tempo, verificou-se que a China registrava exportações têxteis ao Brasil equivalentes a mais ou menos o dobro do que as importações brasileiras de têxteis chineses. Por quê? Porque entra muita importação têxtil sem registro, a fim de não pagar impostos. E compete com a produção brasileira, que paga. Os produtores brasileiros, que são tão ou mais eficientes que os chineses, sofrem com o câmbio e com a frágil defesa comercial do país.

Folha - O senhor disse que o Mercosul atrapalha a busca brasileira por novos mercados. O que propõe mudar no bloco?

Serra - O Mercosul deve ser flexibilizado, de modo a evitar que seja um obstáculo para políticas mais agressivas de acordos internacionais. Não se trata de acabar com o Mercosul, pelo contrário. Há duas instâncias de integração econômica. A primeira é o livre comércio entre os países que se associam - uma zona de livre comércio, a ser gradualmente implantada. A segunda, alcançada somente depois de décadas pela União Europeia, é a adoção de uma política comercial comum, ou seja, os países integrantes renunciam à sua soberania comercial, e fixam tarifas comuns de importações. Além do mais, só podem fazer acordos comerciais com terceiros se todos os membros concordarem. Tudo tem de ser feito em bloco.

Eu sempre achei irrealista fazer-se tudo isso em quatro anos, a partir de 1995 [quando começou a vigorar a tarifa externa comum]. Na época, o ministro de relações exteriores era o mesmo Celso Amorim, no governo do Itamar Franco. Ele sabe que eu divergia do acordo, por achá-lo irrealista. Defendia que, primeiro, o Mercosul se fortalecesse como zona de livre comércio, o que tomaria tempo. Só aí se deveria partir para a união alfandegária.

Nesse atropelo, o livre comércio não se consolidou e a união alfandegária nem se materializou totalmente, cheia de "perfurações" de tarifas. O Mercosul acabou sendo uma obra inconclusa, com todos os custos que isso envolve.

Folha - A reação argentina a sua declaração não foi positiva.

Serra - O que defendo é flexibilização do bloco, a fim de que nos concentremos mais no livre comércio. Claro que essa não seria uma decisão unilateral do Brasil. Teria de ser bem negociada com nossos parceiros do Mercosul.

Folha - Mas, mesmo negociando sozinho com outros, o Brasil terá que fazer concessões.

Serra - Há um dado que citei no meu discurso em Brasília: nos últimos oito anos foram feitos cem tratados de livre comércio entre diferentes países. O Brasil fez apenas um, assinado pelo Mercosul com Israel. É óbvio que o maior acesso a determinados mercados envolve concessões recíprocas. Sempre é assim. Por isso, cada caso é um caso e só devemos assinar tratados que nos tragam vantagens líquidas.

Outra questão importante é a da infraestrutura, que, hoje, aumenta os custos das nossas exportações. O transporte da soja de Mato Grosso ao porto de Paranaguá custa algo parecido ao transporte desse porto até a China. Faltam estradas melhores, trens, investimentos em armazéns, portos e aeroportos.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u725514.shtml