7 de dez. de 2009

PT X PSDB: terceira via em 2010 é quase impossível, indica pesquisa

Brasilia em Tempo Real

Pesquisa feita pela PUC do Rio mostra a virtual impossibilidade de uma terceira via na sucessão em 2010. O País voltará a viver uma disputa polarizada entre tucanos e petistas, segundo um dos pesquisadores, professor César Romero Jacob, da PUC do Rio.

Ao analisar o cenário da divisão eleitoral do Brasil na última corrida pelo Palácio do Planalto, os estudiosos notaram que ele pode se repetir. Em 2006, nas regiões Norte e Nordeste, onde os programas sociais, como o Bolsa-Família, foram mais fortes, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve ampla vitória.

Já na região Centro-Sul, onde o dólar barato derrubou o agronegócio, o tucano Geraldo Alckmin teve melhor desempenho. Em 2010, as condições não devem variar, porque há uma nova e franca desvalorização da moeda americana e, paralelamente, mais beneficiários no principal programa social do governo.

O estudo foi publicado na revista acadêmica Alceu, sob o título "A Eleição Presidencial de 2006 no Brasil: Continuidade Política e Mudança na Geografia Eleitoral". Além de Jacob, foi assinado por Dora Rodrigues Hees, da PUC, Philippe Waniez, da Universidade de Bordeaux, França, e Violette Brustlein, do Centro Nacional de Pesquisa Científica, da França.

http://www.emtemporeal.com.br/index.asp?area=2&dia=07&mes=12&ano=2009&idnoticia=89872

Arruda seria o vice do PSDB

Jornal do Brasil - Leandro Mazzini

O presidente do DEM, deputado federal Rodrigo Maia (RJ), passou uma semana de lamentações. O caso de corrupção no governo do Distrito Federal, onde o único governador democrata, José Roberto Arruda, dava sinais de que a administração seria um exemplo para o país, deixou a legenda à mercê de julgamentos dos arquirrivais petistas e desestruturou o partido.

Nesta entrevista ao JB, Maia faz um breve balanço do caso, defende o DEM, desconversa sobre expulsar Arruda, revela que o governador era o maior cotado para ser um vice do candidato do PSDB à Presidência e, diante da debandada de aliados na esfera de Brasília – por enquanto – deixa recado aos aliados tucanos: “O PSDB não ganha nada sem o DEM”.

O DEM desfiliou o deputado federal Edmar Moreira (MG) por causa do escândalo da sonegação do castelo. O fato de o governador José Roberto Arruda ter contra si evidências muito mais fortes torna eminente a expulsão dele? 
A questão da expulsão será colocada em votação na quinta-feira.
Portanto, não devo adiantar resultados, porque eu estaria, vamos dizer assim, resolvendo o assunto e não dando direito de defesa ao governador.

As questões são diferentes.

Vou dar dois exemplos. Você citou o Edmar Moreira. Ele tomou a decisão de disputar a vaga na Mesa, fora da bancada do partido. Disputou avulso. Depois que se elegeu, teve o problema. Então o que aconteceu ali? Ele se insurgiu ao partido, não quis tomar uma decisão partidária, então o partido não tinha compromisso com ele, por decisão dele. O caso do Roberto Brant. Nós tínhamos convicção que errou naquele episódio (sobre o mensalão), mas que ele tinha um caminho para a sua defesa, e nós fizemos a defesa do Roberto Brant. O caso do governador Arruda é um caso com muitas imagens contundentes.

São evidências muito mais fortes...

– Só que é um homem de partido.

Então você tem a obrigação de garantir a ele o direito a defesa. Essa foi a decisão da maioria do partido e é isso que nós vamos dar, os oito dias, para que o partido decida.

O Informe JB volta amanhã com Leandro Mazzini Se ele continuar no partido e for à reeleição, o partido está disposto a arcar com esse peso de responsabilidade? 
 Vamos esperar a decisão de quinta-feira para poder avaliar o futuro. Não posso avaliar com a possibilidade de ele ser desligado do partido. Sei que o clima é muito ruim e que o clima de perplexidade dos membros da Executiva é muito ruim. Só depois de quinta, com a questão resolvida, posso avaliar qual é o futuro do partido no Distrito Federal.

Situações locais já ditam algumas tendências sobre as alianças. O PSDB, que é o maior aliado do DEM e que vai ter o candidato à Presidência da República, abandonou a coligação.

O PSDB está pressionando na questão da expulsão do governador Arruda?
Não. O PSDB está pressionando politicamente quando antecipa a sua decisão. É um direito do PSDB pressionar nos estados em que achar que deve pressionar. Em alguns ele pressiona, em outros, não.

Mas e na questão do governador Arruda?
Ele não deve se envolver nisso, é uma decisão interna.

O presidente do PSDB, Sérgio Guerra, conversou com o senhor sobre isso? – Se me procurasse para tratar de expulsão eu diria que é um problema do Democratas. Até porque nunca cobramos a expulsão de nenhum dos quadros do PSDB que tiveram problemas.

Quem, por exemplo?
O (senador) Eduardo Azeredo (MG), a (governadora) Yeda Crusius (RS). Ao contrário, eu fui ao Rio Grande do Sul conversar com a Yeda, fiz a defesa da boa gestão da governadora.

Nós não temos que cobrar dos nossos aliados suas decisões internas.
Cada um decide internamente o que for melhor para o partido.

O DEM e o PSDB são aliados incondicionais, principalmente na majoritária nacional. Como é que fica a coligação no ano que vem? Haverá essa coligação, o PSDB pode se eximir disso?
Pode ser bom para perder a eleição.

O PSDB pode ficar sozinho.

O senhor acha que perde?
Eu tenho certeza que perde.

Mas o DEM vai dar o vice para o PSDB?
Nós vamos aprovar isso na convenção do partido.

Mas depende de o PSDB aceitar.
– Eu aprovo na minha convenção, o partido é a favor ou contra a coligação com o PSDB, sim ou não.

Depois eu voto: o partido vai indicar o vice ou não?
Se o partido, na sua convenção, indicar o vice, e se a convenção do PSDB indicar outro vice, não tem aliança.

José Roberto Arruda era um nome para ser vice?
Ele seria. Era o nome para ser vice.

Infelizmente, não é mais.

Quem pode aparecer de vice?
Tem o senador José Agripino (RN), a senadora Kátia Abreu (GO), alguns nomes que podem compor bem uma chapa. Poderia até ter candidato a presidente se a nossa decisão no início do ano fosse a candidatura própria.

Mas então é fato que o DEM vai dar o vice ao PSDB?
É difícil que não seja assim.

Como estão as conversações nos estados?
Nessa última semana a situação ficou muito concentrada em Brasília, mas estávamos caminhando bem. Temos problemas em alguns estados, mas tem alguns estados já resolvidos.

O governador Arruda pressionou os senhores na reunião?
Não é verdade.

Como foi o clima na reunião? O que ele propôs? 
Ele pediu que se desse a ele o direito de defesa. Você não pode esperar de uma pessoa que está passando o que ele está passando que em determinados momentos ele não possa cometer um erro numa frase. Ele não repetiu a frase de radicalizar duas, três vezes, para ratificar a posição dele.

Não repetiu, mas ele disse, então?
Ele disse: “Assim vocês estão radicalizando”. Ele não repetiu isso, do radicalismo, mas ele não disse o resto que saiu pela imprensa.

Ele só disse “radicalizar”.

E num momento duro. Foi quando o senador Demóstenes Torres (GO) disse a ele que ia pedir a expulsão sumária. Então você não pode esperar de uma pessoa que está passando pelo que está passando que não cometa um erro.

Se ele tivesse repetido isso três, quatro vezes, não era um erro, era uma estratégia.
Qual é a situação do DEM no Congresso, hoje? A bancada está realmente dividida sobre o caso Arruda? – Não, acho que está todo mundo na mesma linha. Uns queriam o rito sumário, outros queriam dar o direito de defesa de oito dias, mas todos querem julgar.

O DEM tem o único governador, que é o do Distrito Federal.


Os senhores conseguiriam tomar essa decisão difícil para o partido? É viável para o DEM, politicamente, perder o único governador?
A decisão é da Executiva. Acho que acima de qualquer coisa está a Executiva do partido e o Diretório Nacional. Qualquer decisão que ela tomar é uma decisão que vai ser importante e histórica para o partido e acho que nada é definitivo. Os momentos ruins passam e os momentos bons também passam. Tudo passa. Às vezes passa de uma forma onde você consegue responder e tem momentos que você acaba sendo prejudicado pela crise sem capacidade de reação. Acho que o nosso desafio nos próximos dias é passar por essa crise tendo uma reação que a sociedade compreenda como uma reação correta.

O DEM tem sido notório na questão de ser o mais ferrenho adversário ao governo Lula, principalmente no discurso contra o mensalão. Esse discurso vai continuar? Porque agora o PT pode falar que o DEM também teve mensalão.

– Não chega ao ponto de dizer que aqui em Brasília está caracterizado como mensalão. Acho que isso vai depender do fim das investigações, como a justiça vai acolher a denúncia. O caso do PT é um caso claro de mensalão que está comprovado. O mais importante no nosso ponto de vista é que o partido vai tomar uma decisão, abrir um processo, julgar de forma transparente, com a decisão da maioria, o que nenhum outro partido fez. Todos os outros partidos foram empurrando, deixando o tempo passar, e o tempo passando acabaram resolvendo, de certa forma, os seus problemas, com mais ou menos desgastes.

O senhor acha que o DEM consegue se livrar disso já na campanha do ano que vem?
Acho que uma reação que a sociedade compreenda, com o resultado dessa crise, que o partido saia dessa crise com a resposta para a sociedade, não tenho dúvida nenhuma que a gente inclusive vai crescer, que o nosso discurso vai ser mais forte que o discurso dos outros partidos.

E qual seria uma resposta se o governador Arruda ficar no partido?
Não posso dizer nem que vai ficar nem que não vai ficar. Posso dizer que na quinta-feira o Brasil vai ter a resposta.

O senhor vê motivação política nessa operação?
Não tenho indícios para dizer isso.

Em nenhum momento o partido discutiu isso?
Sempre se discute, mas a princípio acho que foi muito mais uma questão desse Durval (Barbosa, o homem que fez as gravações) do que qualquer outra coisa.

O DEM tem alguma dificuldade de fechar palanques estaduais com o PSDB?
Alguns estados estão fechados Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte, São Paulo, Minas. Você ainda tem problemas importantes a serem resolvidos no Rio Grande do Sul, no Paraná, no Rio de Janeiro.

Cesar Maia é candidato no Rio?
Hoje, não.

O que depende para ele ser?
Se fosse há seis meses atrás ele poderia tentar construir. Cada dia que passa fica mais próximo da eleição e fica difícil de construir uma candidatura ao governo.

Como é que vai ficar o palanque do DEM no Rio?
Nós vamos montar uma aliança.
Espero que seja com os quatro partidos (DEM-PSDB-PPS-PV), vamos esperar.

Então quem seria cabeça de chapa?
Depois que passar essa crise, o PSDB vai começar a trabalhar a escolha do seu candidato a presidente, vai ficar mais fácil de poder montar o palanque do estado do Rio de Janeiro.

Quem seria um nome forte, hoje?
Só tem dois nomes fortes para o governo do estado do Rio de Janeiro nesses quatro partidos: Fernando Gabeira e Cesar Maia. E nenhum dos dois aceita hoje. Mas se nós avaliarmos com frieza, como dirigentes partidários, só temos esses dois nomes. Teremos que convencer um dos dois a disputar o governo do estado.

Perfil
Rodrigo Maia Filho do ex-prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia, Rodrigo nasceu no Chile em 12 de junho de 1970. Foi o mais jovem secretário de governo da história do Rio, com 26 anos. Está no terceiro mandato na Câmara dos Deputados e assumiu, em 2007, a presidência do Democratas. Casado com Patrícia Vasconcelos e pai de três filhas, já foi apontado como a jovem liderança mais influente do Congresso.

TSE pode obrigar certidões negativas em eleições

Valor Econômico

BRASÍLIA - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deverá aprovar uma nova norma para as eleições de 2010 determinando a publicidade de todas as certidões necessárias para que os políticos se tornem candidatos. Ao se candidatar, os políticos têm que apresentar certidões negativas de condenação criminal, a declaração de imposto de renda e uma certidão cível para os casos de eventual processo por improbidade administrativa.

Hoje, mesmo se tiverem sofrido condenações criminais, os políticos não sofrem objeções formais às suas candidaturas. Com isso, a apresentação de certidões é algo meramente formal para a Justiça Eleitoral. O político apresenta os seus dados e eles ficam registrados nos tribunais eleitorais. O presidente do TSE, ministro Carlos Ayres Britto, quer mudar essa prática.

A ideia dele é divulgar todas essas certidões na internet para que os eleitores tenham mais informações a respeito do perfil dos candidatos. Para o ministro, a divulgação ajudaria os eleitores a obter mais dados sobre os políticos e, com isso, votar de maneira mais consciente. " É impressionante o número de casos de corrupção que aparecem no Brasil e nos colocam sob alerta " , disse Britto, durante debate sobre corrupção, na sexta-feira. " Mas, nem tudo está perdido. Nós votamos a cada dois anos " , continuou ele, referindo-se ao intervalo entre as eleições municipais e as presidenciais. " E isso é um processo de educação em concreto. " Para Britto, a divulgação dessas certidões dos políticos deveria ficar prevista nas resoluções do TSE que regulam as eleições. Essas regras estão sendo discutidas neste mês para serem aprovadas até o início de março. Na quarta-feira, o TSE definiu as regras para a propaganda política em vários meios de comunicação, como rádio, TV, jornais, revistas impressas e internet.

Na sexta-feira, o tribunal discutiu o sistema de votação eletrônico. No dia 14, será a vez de o TSE debater a divulgação de certidões para os políticos. Em outras ocasiões, o tribunal adotou uma postura cautelosa com relação à publicização de informações dos políticos. Em 2008, o TSE discutiu a possibilidade de divulgar uma lista dos políticos que respondem a processos na Justiça. Na ocasião, Britto foi favorável à divulgação, mas acabou vencido.

Em seguida, entidades representativas de juízes, procuradores e líderes religiosos, como as associações Brasileira dos Magistrados (AMB), dos Juízes Federais (Ajufe), dos Membros do Ministério Público (Conamp), dos Procuradores da República (ANPR) e a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), pediram ao Supremo Tribunal Federal (STF) a proibição da candidatura de políticos que sofreram condenações na Justiça.

Em agosto de 2008, o STF negou o pedido, por nove votos a dois, e novamente o ministro Britto ficou vencido. Agora, no entanto, o caso é diferente, pois o presidente do TSE não pretende impor, como condição para a candidatura, que o político tenha " ficha limpa " . Ele quer apenas divulgar a ficha do político na internet para que o eleitor possa se informar melhor a respeito dos candidatos. Esse debate terá início no dia 14 e a votação final, no TSE, deverá ocorrer no início de março.

(Juliano Basile | Valor)

http://www.valoronline.com.br/?impresso/politica/99/5985990/tse-pode-obrigar-certidoes-negativas-em-eleicoes

DEM se foca na possibilidade de eleger vários governadores em 2010 para reverter situação ruim do partido

Correio Braziliense - Ricardo Brito

Apesar de alvejado com as denúncias de corrupção que atingem o único governador do partido, José Roberto Arruda (DF), o Democratas aposta na conquista de vitórias eleitorais nos executivos estaduais em 2010 para apagar os tiros abertos na bandeira da ética, o principal discurso político da legenda. Para cumprir essa tarefa, a cúpula do DEM afirma ter candidatos competitivos em cinco estados: Santa Catarina, Rio Grande do Norte, Tocantins, Mato Grosso e Bahia. Ainda mantém esperanças de vencer na capital, caso o vice-governador, Paulo Octávio, também citado nas investigações da Operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, saia sem grandes arranhões da crise em Brasília.

"O partido vai sair fortalecido nesse processo", garante o líder do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO). "Vamos torcer para esse escândalo não respingar em todos", afirma o senador goiano Demostenes Torres. Quatro senadores, Raimundo Colombo (SC), Rosalba Ciarlini (RN), Kátia Abreu (TO), Jayme Campos (MT), e o ex-senador e ex-governador Paulo Souto (BA) almejam concorrer aos governos em seus estados. A disputa é mais confortável para os três primeiros, pois, se perderem, podem voltar ao Senado para completar mais quatro anos de mandato.

Raimundo Colombo já avisou que será candidato ao governo catarinense. "Estamos bem estruturados no Sul do Brasil", afirmou o senador. Num quadro ainda indefinido, pode enfrentar a também senadora Ideli Salvatti (PT), a deputada federal Ângela Amin (PP), o presidente da Assembleia Legislativa local, Pinho Moreira (PMDB), e o vice-governador Leonel Pavan (PSDB).

A candidatura da potiguar Rosalba Ciarlini, por sua vez, ajudaria indiretamente a difícil tarefa de reeleger o líder do DEM no Senado, Agripino Maia, e o ex-presidente da Casa Garibaldi Alves Filho (PMDB). A senadora deve concorrer contra o atual vice-governador, Iberê Ferreira (PSB), candidato da base aliada. "Ela está muito na frente dos demais", comemora Agripino.

Já a pré-candidata Kátia Abreu ganhou impulso depois da cassação em setembro do governador de Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), por abuso de poder econômico, compra de votos e uso indevido dos meios de comunicação nas eleições de 2006. Ela busca unir as forças de oposição no estado, num cenário onde apenas o senador João Ribeiro (PR), da base aliada, se declara pré-candidato. Em Mato Grosso, o também pré-candidato Jayme Campos pode abrir mão da disputa em favor do prefeito de Cuaibá, o tucano Wilson Santos, que ganhou projeção nas eleições municipais. Os dois trabalham para minar a influência do atual governador Blairo Maggi (PR), candidato ao Senado, mas sem nome natural para sucedê-lo no Executivo estadual.

Na Bahia, o ex-governador Paulo Souto, que perdeu a reeleição em 2006 para o petista Jaques Wagner, promete voltar à ribalta. Souto foi um dos poucos remanescentes do grupo político do cacique Antonio Carlos Magalhães a não aderir à base aliada após a morte dele, em julho de 2007. Enfrentará páreo duro com dois candidatos governistas: o próprio Wagner e o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), cuja influência política no estado cresceu durante o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fatias estaduais
A intenção do Democratas é aumentar sua fatia nos Executivos estaduais e, ao menos, manter o tamanho atual das bancadas de deputados e senadores: 55 e 13, respectivamente. No Senado, oito integrantes da bancada terão de fazer campanha se quiserem se manter em cargos eletivos. O partido encolheu praticamente à metade sua participação no Congresso em relação aos dois principais momentos da história: o início da redemocratização, em 1986, e a reeleição do então presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, em 1998.

"O sistema político beneficia quem está no governo", resigna-se o vice-líder do DEM, deputado José Carlos Aleluia (BA). "Preferimos ser menores, mas termos propostas, ideias e compromisso."

A aposta nos governos estaduais, contudo, esconde a confissão feita nos bastidores: o partido passa pelo pior momento em 24 anos de história (veja cronologia).

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/12/07/politica,i=159348/DEM+SE+FOCA+NA+POSSIBILIDADE+DE+ELEGER+VARIOS+GOVERNADORES+EM+2010+PARA+REVERTER+SITUACAO+RUIM+DO+PARTIDO.shtml

6 de dez. de 2009

Comissão de Ética da Presidência arquiva processo e livra Dilma do caso sobre a VarigLog

Correio Braziliense - Izabelle Torres


A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, livrou-se de mais um processo na Comissão de Ética (1)Pública da Presidência da República. Em setembro, o órgão arquivou o procedimento que analisava sua interferência nas negociações da venda da VarigLog e sua atuação para beneficiar o grupo de empresários que comprou a empresa. Pré-candidata do governo à sucessão do presidente Lula, a ministra foi envolvida no caso porque recebeu extraoficialmente o amigo Roberto Teixeira, que atuava como advogado no caso.

Praticante recorrente de agendas não divulgadas — em agosto a ex-secretária da Receita Federal Lina Vieira disse ter tido um encontro fora da previsão com a ministra para tratar das investigações sobre o filho do senador José Sarney — Dilma recebeu dos conselheiros a recomendação comum a qualquer agente público: o registro de encontros e audiências, em qualquer hipótese.

Segundo os conselheiros, apesar do fato de pelo menos seis encontros da ministra com o advogado não terem sido publicados na agenda oficial, os argumentos apresentados por Dilma sobre o teor dos encontros convencem sobre a falta de intenção de interferir no processo de compra e venda da VarigLog. Por isso, a comissão decidiu apenas lembrar à ministra que os registros de encontros realizados por integrantes do primeiro escalão ou por qualquer outro funcionário público devem permanecer à disposição dos brasileiros para consultas. Em junho do ano passado, a comissão livrou Dilma Rousseff da responsabilidade sobre a montagem de um dossiê com gastos da gestão Fernando Henrique Cardoso com os cartões corporativos.

Lupi
Enquanto isentam a candidata de Lula ao Planalto das suspeitas de tráfico de influência, os conselheiros continuam o embate iniciado em 2007 com o ministro do Trabalho, Carlos Lupi. Depois de praticamente recomendar a demissão do ministro do cargo no governo porque ele também acumulava o comando do PDT, os conselheiros reclamam que a atitude de Lupi de licenciar-se da presidência do partido foi meramente formal, já que na prática ele continua à frente das decisões da legenda.

De acordo com os integrantes da Comissão de Ética, as maiores provas da permanência do ministro nas atividades do PDT são suas constantes aparições no horário eleitoral partidário. Segundo o relator do caso, Hermann Baeta, a solução de licenciamento da presidência do partido proposta em março de 2008 não vem sendo cumprida. Para ele, isso fica claro tanto pela especificação da condição de presidente da sigla contida na ata da reunião do PDT apresentada nos autos pelo próprio ministro, como pela forma como ele vem se apresentando em propaganda partidária em rede nacional, “dirigindo-se ao público com a clara vinculação do cargo de ministro ao de efetivo presidente do PDT, ainda que pretenda disfarçar a dualidade com a terminologia de presidente licenciado”.

Em setembro, os conselheiros deram prazo de 10 dias para o ministro se explicar e informaram ao presidente Lula o descumprimento do acordo feito em março, quando ficou decidido que, para não perder o cargo no primeiro escalão do governo, ele deveria se licenciar da presidência do PDT. Lupi respondeu o ofício da comissão alegando que sua aparição na propaganda partidária não configura a permanência no comando da legenda. As justificativas não convenceram e os conselheiros devem dar continuidade à discussão no dia 10, quando acontece a última reunião do ano do grupo.

1 - Fiscais da conduta
A Comissão de Ética Pública foi criada em 1999. Vinculada ao presidente da República, é responsável pela revisão das normas que dispõem sobre conduta ética na Administração Pública Federal e pela elaboração do Código de Conduta das Autoridades, no âmbito do Poder Executivo. Estão sob o controle do grupo os ministros e secretários de Estado, além de titulares de cargos de natureza especial.

Memória
Mãozinha aos amigos

As discussões em torno da atuação da ministra no negócio da VarigLog tiveram início em meados de 2008, quando a ex-diretora da Anac Denise Abreu disse que Dilma havia interferido na negociação a favor da Volo do Brasil. A empresa ganhou a disputa pela compra, realizada em janeiro de 2006. Denise disse que Dilma havia questionado as exigências feitas pela agência ao consórcio formado pelo grupo Matlin Patterson e outros três sócios brasileiros. Na época, tornou-se público que Dilma tinha conversado pelo menos seis vezes com o compadre de Lula, Roberto Teixeira, que atuava como advogado do grupo comprador. Desde o ano passado, os conselheiros da Comissão de Ética estavam analisando o caso e a possível atuação da ministra para beneficiar os sócios. Nada havia sido concluído ainda porque o time de fiscais, que oficialmente tem sete integrantes, passou mais de um ano com apenas quatro integrantes, número mínimo para poder haver votações. O problema é que o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence, se declarou impedido de julgar o processo, alegando que havia sido consultado como advogado sobre o assunto. Assim, não havia quorum para deliberações.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/12/06/politica,i=159231/COMISSAO+DE+ETICA+DA+PRESIDENCIA+ARQUIVA+PROCESSO+E+LIVRA+DILMA+DO+CASO+SOBRE+A+VARIGLOG.shtml