9 de nov. de 2009

Aliados cobram decisão do PT sobre candidatura em SP

AE - Agencia Estado

SÃO PAULO - A indefinição sobre o palanque que sustentará a candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), em São Paulo na eleição de 2010 tem causado desconforto nos partidos da base governista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A força dos adversários tucanos e o histórico de derrotas do PT no maior colégio eleitoral do País levaram aliados a intensificarem a articulação no Estado para definir uma candidatura já no começo do ano que vem.

Os principais partidos da base aliada se encontram hoje na capital paulista para discutir a aliança que sustentará a candidatura petista e qual o papel que cada um terá no processo. PT, PDT, PSB e PCdoB debaterão a eventual candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB) - o nome mais forte do grupo - e colocarão as condições do apoio aos planos do PT.

Organizada pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT), o Paulinho da Força, a reunião ocorrerá na sede do partido em São Paulo. Participarão os presidentes estaduais do PSB, Márcio França, e do PT, Edinho Silva, e representantes do PCdoB. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,aliados-cobram-decisao-do-pt-sobre-candidatura-em-sp,463377,0.htm

8 de nov. de 2009

PSDB reage a comparação feita por Lula sobre Hitler

da Folha de S.Paulo

O tom de críticas entre dois dos principais grupos que disputam o poder em 2010 parece ter se elevado. Tucanos reagiram a declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que os comparou ao ditador nazista Adolf Hitler (1889-1945) durante discurso anteontem. Para os oposicionistas, a fala de Lula transpareceria sua "aversão ao contraditório".

O presidente fez a analogia ao comentar a estratégia tucana de treinar, a partir desta semana, cerca de 4.500 militantes no Nordeste. O alvo é afinar discurso e conseguir votos para a eleição de 2010. Os governadores José Serra (SP) e Aécio Neves (MG) disputam a indicação do partido para concorrer à sucessão de Lula.

Para o petista, esta tentativa de convencimento dos eleitores seria análoga a estratégia de Hitler de arregimentar forças para destruir inimigos, como os judeus. O deputado José Aníbal (SP), líder do PSDB na Câmara, acha que "o presidente demonstra irritação porque colocou-se o dedo na ferida no autoritarismo dele, o quanto ele é avesso ao contraditório, à crítica, à fiscalização".

O deputado disse que Lula e a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) cometem "crime eleitoral" por viajar num avião do governo para, segundo ele, fazer ato eleitoral. "Ele [Lula] tem uma concepção fascista, mussoliniana do que deve ser o papel da imprensa", disse Aníbal.

O senador Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB, disse que as declarações do presidente "não podem ser sinceras". "Estamos fazendo curso sobre democracia, não gostamos de Hitler nem de [o presidente da Venezuela, Hugo] Chávez. Não discutimos ditadores. Se o presidente tiver curiosidade, podemos mandar nossas apostilas para ele."

Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), "nunca se viu na história do país um presidente falar tanta bobagem".

Em outra frente, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez críticas a política ambiental do atual governo.

Ele disse que o Brasil poderia fazer mais do que só reduzir o desmatamento para auxiliar o esforço contra o aquecimento global. Disse também que gostaria de ver uma postura "mais afirmativa" do governo Lula nas negociações climáticas globais que acontecem em dezembro em Copenhague, e que temia o retorno de "uma visão de crescer a qualquer preço".

O tucano falou durante a Conferência de São Paulo, evento sobre governança mundial organizado pela CPFL Cultura, pelo Instituto Fernando Henrique Cardoso e pelo Collegium International, grupo dirigido pelo ex-primeiro-ministro francês Michel Rocard.

O ex-presidente, Rocard e outros intelectuais e políticos usaram o encontro para divulgar a Carta de São Paulo, um manifesto pedindo a reformulação da ideia de soberania nacional para que seja possível enfrentar com sucesso desafios que são realmente mundiais.

"Ou nós mudamos o sistema decisório internacional, ou vamos ser atingidos por uma espécie de policatástrofe", disse.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u649311.shtml

Indefinição sobre candidato tucano à Presidência mantém caciques do DEM reticentes

Correio Braziliense - Tiago Pariz

Caciques do DEM resistem em aceitar a indicação de vice na chapa do PSDB à Presidência da República por entender que os tucanos estão colocando em risco a vitória na eleição do ano que vem. O prejuízo, na visão dos democratas, é a indecisão sobre a escolha de quem será o candidato tucano.

Os nomes do DEM cotados para o posto entendem que deixar a escolha para meados do ano que vem, como quer o governador de São Paulo, o tucano José Serra, criará uma expectativa negativa sobre o potencial da candidatura de oposição contra a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff. A melhor saída para acalmar o DEM é antecipar a escolha para dezembro, como defende o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB).

O senador José Agripino (RN), o ex-prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia, o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, todos do DEM, não querem trocar eleições mais tranquilas por um cenário indefinido. Muito menos ficar a reboque de José Serra. Eles acreditam que, se em março de 2010 Dilma tiver conseguido fechar uma ampla aliança político-partidária e aumentar seus percentuais nas pesquisas de intenção de votos, o governador de São Paulo poderá desistir do Palácio do Planalto e voltar-se à própria reeleição. Na avaliação deles, mesmo se Serra apoiar Aécio, mas só em meados do ano que vem, a imagem que passará é que ele desistiu também por achar que a oposição sairá derrotada. Antecipando a escolha entre Serra e Aécio para este ano ainda, diminui a hipótese de uma desistência futura, no entendimento dos democratas.

Agripino acredita que sua reeleição é praticamente certa e Arruda acha que permanecer à frente do governo do DF também é mais simples do que a vitória presidencial. O caso mais emblemático é de Cesar Maia, que terá uma corrida bastante árdua pelo Senado — não é uma eleição garantida e, mesmo assim, prefere se colocar fora do páreo pelo vice. Ele disputará uma cadeira com o senador Marcelo Crivella e o deputado Fernando Gabeira (PV), que desistiu de se lançar ao governo fluminense.

A favor de Maia, conta o fato de ele cobrir um espaço que os tucanos não têm no Rio de Janeiro desde que a aliança com Gabeira ruiu com a entrada da senadora Marina Silva (PV-AC) na corrida pelo Palácio do Planalto. O PSDB apostava em apoiar o deputado para o governo, repetindo uma aliança feita na eleição pela prefeitura do Rio de Janeiro. A meta era ter um palanque forte para Serra ou Aécio no estado. Na última eleição presidencial, a votação expressiva de Lula entre os fluminenses compensou derrotas que ele sofreu para o tucano Geraldo Alckmin nos três estados do Sul.

Favoritismo
Apesar da reticência, Agripino tem sido apontado como o favorito para ser o vice. Conta a seu favor o fato de ele ser uma ponte entre a ala jovem do partido, representada pelo presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), e os caciques da antiga Frente Liberal, com o ex-senador Jorge Bornhausen à frente.

Se Agripino é o mais cotado hoje, na última eleição presidencial, ele foi preterido por ser considerado incapaz de agregar votos à candidatura de Alckmin em 2006. O escolhido, à época, acabou sendo José Jorge, sob o argumento de que ele vinha de um estado forte, Pernambuco. Com essas resistências do senador potiguar e do ex-prefeito, ganham força nomes considerados azarões no páreo. O líder da bancada do DEM na Câmara, Ronaldo Caiado (GO), já anunciou à cúpula ter disposição de disputar o cargo de vice. Mas ele mesmo lembrou que a decisão levará em conta quem terá capacidade de agregar valor à candidatura tucana.

Rodrigo Maia declarou recentemente entender que Aécio é um candidato mais competitivo que Serra. Mas ecoa o entendimento majoritário no DEM de que o candidato acabará sendo o governador paulista. Sobre a indecisão dos tucanos, o deputado Jutahy Júnior (PSDB-BA) afirmou o seguinte, citando a chefe da Casa Civil e o deputado Ciro Gomes (PSB-CE): “A Dilma diz que não é candidata, o Ciro diz que é candidato. Ninguém acredita em nenhum dos dois. Não precisamos sair falando que já temos o candidato”.

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/11/08/politica,i=153477/INDEFINICAO+SOBRE+CANDIDATO+TUCANO+A+PRESIDENCIA+MANTEM+CACIQUES+DO+DEM+RETICENTES.shtml

Senhora, nem pensar. Agora, é "companheira"

Correio Braziliense -  Ullisses Campbell

No discurso mais longo feito desde que foi lançada como pré-candidata à Presidência da República, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, falou ontem por cerca de 40 minutos sobre projetos para 2010 e atacou a oposição. O palco foi o encontro nacional de prefeitos do PT, em Guarulhos (SP). Ao entrar no local do evento, Dilma foi aplaudida de pé e ovacionada pelos participantes com gritos de “olê, olê, olê, olá, Dilma, Dilma”, em alusão ao coro usado nas campanhas de Luiz Inácio Lula da Silva.

Dilma minimizou o tom de campanha dizendo, em entrevista coletiva, que o encontro tratava de assuntos políticos, mas voltou a atacar a oposição. “Eles acham que são astutos ao querer dividir a base aliada. Mas, na verdade, são patéticos e desconexos”, ressaltou. Na sexta-feira à noite, a ministra-candidata já havia repetido esse discurso no encontro nacional do PCdoB, também em São Paulo.

Ao falar abertamente sobre eleição, Dilma disse que, em 2010, haverá um confronto entre o PSDB e o PT. “O que se joga no ano que vem é o confronto de dois ‘Brasis’, um que terminou em 2002 e o que o termina em 2010. Decididamente, aqueles que vão fazer o Brasil avançar não serão os que imobilizaram o país no modelo neoliberal por tantos anos”, discursou a ministra.

O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, classificou o ato de ontem como “pré-campanha”. “A articulação política já começou, senhor ‘Fracassando’ Henrique Cardoso”, satirizou. A direção nacional do PT orientou os prefeitos a não chamarem Dilma de senhora. O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, foi o primeiro a esquecer a recomendação. “Senhora é a sua vovozinha”, rebateu Dilma. A partir de agora, a ministra-candidata quer ser chamada de “companheira”.

Embora Dilma frise que não está fazendo campanha, os militantes do PT aproveitaram para distribuir no encontro em que a ministra foi a estrela um livreto intitulado Arrocho, descaso e má gestão. A capa tem as cores do PDSB e uma ilustração em que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), aparece com olhos vermelhos. No mesmo livro, outra figura mostra o tucano com uma palmatória na mão e cinco funcionários da Educação machucados, como se tivessem levado uma surra de Serra. “Aprenderam a lição?”, questiona o personagem que representa o governador.

Maracujina
O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante, defende que Dilma deixe a Casa Civil o quanto antes para se dedicar integralmente ao projeto de 2010 e sugeriu aos tucanos que tomem maracujina para se manterem calmos. “Eles andam muito nervosos. Devem ter motivos para ter medo. Posso dizer que as coisas vão piorar porque vamos eleger Dilma no ano que vem”, ressaltou o senador.

Mercadante prevê que o grande salto na campanha de Dilma vai ocorrer quando Lula começar a fazer comícios para se despedir da população. “Nesse momento, haverá muita emoção, porque o povo sentirá um vazio muito grande. E o povo vai perceber que, para preencher esse vazio, só mesmo a Dilma”,

http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2009/11/08/politica,i=153474/SENHORA+NEM+PENSAR+AGORA+E+COMPANHEIRA.shtml

PMDB abre mão de apoio do diretório paulista a Dilma em 2010

Partido trava uma batalha interna para definir a quem apoiará na eleição presidencial do próximo ano

Carolina Freitas, da Agência Estado

SÃO PAULO - Às turras com o PMDB nacional desde o pré-acordo com o PT visando as eleições presidenciais de 2010, o presidente paulista da legenda, Orestes Quércia, disse neste domingo, 8, ter recebido garantias de que a posição pró-PSDB de São Paulo será respeitada. O trato foi selado na última quinta-feira, 5, no escritório de Quércia na Capital, com o presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer.

"Ele (Temer) tem a posição dele lá em Brasília. Nós temos a nossa aqui em São Paulo. Ele respeita. Agora vamos conversar é na convenção nacional", afirmou Quércia à Agência Estado. "Não tem nada de ruim entre eu e ele. Em São Paulo ele vai participar da nossa chapa do diretório estadual, vai indicar delegados."

Para consignar o compromisso, Temer deu aval à reeleição de Quércia como presidente do diretório paulista, a ser oficializada em 13 de dezembro. O deputado esteve neste domingo em São Paulo para acompanhar a convenção municipal do PMDB, que também reelegeu a executiva atual. Quércia chegou ao evento pouco depois da saída de Temer.

O PMDB trava uma batalha interna para definir a quem apoiará no pleito do próximo ano. A ala liderada por Temer e pelos senadores José Sarney e Renan Calheiros quer apoiar a candidata indicada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra Dilma Rousseff. Já o grupo de Quércia e do senador Jarbas Vasconcelos defende o apoio ao PSDB, em especial a possível candidatura do governador paulista, José Serra.

A estratégia do flanco do PMDB que apoia Dilma inclui abrir mão de Estados em que há uma tendência consolidada de apoio ao PSDB. O objetivo é concentrar esforços em regiões onde ainda há possibilidade de virada a favor de Dilma. Sem maioria na convenção nacional do PMDB, o pré-acordo com o PT fica à deriva.

Entre os Estados dados como "perdidos" pelas lideranças nacionais estão São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Acre - todos contabilizados na lista de apoios conquistados por Quércia. Para o ex-governador, Mato Grosso do Sul também já foi arrebatado. Ele se dedica agora a arregimentar os diretórios peemedebistas em Minas, Bahia, Pará e Mato Grosso.

"O pré-acordo é reversível. É só não passar na convenção. E acho que há muita chance de não passar", afirmou Quércia. O ex-governador aponta traços de "autoritarismo" no acordo com o PT. "Eles não falam em nome do partido, pois fugiram de dialogar conosco. Sou da Executiva Nacional e não fui consultado. A decisão não tem legitimidade."

Segundo Quércia, Temer havia se comprometido, poucos dias antes do acordo com o PT, a ampliar o diálogo com o grupo pró-Serra, mas descumpriu o combinado. "Michel foi muito pressionado pelo Sarney e pelo Renan e acabou não cumprindo o compromisso."

Temer chegou a ventilar nas últimas semanas a possibilidade de o PMDB lançar candidato próprio ao governo de São Paulo. O indicado seria o deputado federal Francisco Rossi. Para Quércia, a notícia não passa de "fogo de palha". "Rossi ficou sozinho, sem apoio. São Paulo está fechado, não tem contradição."

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,pmdb-abre-mao-de-apoio-do-diretorio-paulista-a-dilma-em-2010,463130,0.htm