28 de set. de 2009

Divergências locais dividem PSDB e DEM

28/09/2009 - CATIA SEABRA

enviada especial da Folha a Natal

Ao lado do presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), os governadores de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves, assistiram, anteontem, a uma tensa discussão entre o ex-governador da Paraíba Cássio Cunha Lima e o senador Cícero Lucena (PB).

Na Paraíba, Cunha Lima defende o apoio à candidatura do prefeito de João Pessoa, Ricardo Coutinho (PSB). Cícero Lucena pretende concorrer ao governo. Num almoço na tarde de sábado, Serra tentou debelar a crise.

Na ríspida conversa, Cunha Lima insistiu na ideia de que não há espaço para a candidatura de Cícero no Estado. De acordo com ele, haveria o risco de o PSDB da Paraíba sair da eleição menor do que é hoje.

Cunha Lima, que ameaça deixar o partido, prometeu ficar desde que asseguradas condições para que concorra ao Senado. Cícero disse que cabe ao partido na Paraíba decidir seu destino.

Esse era também um dos nós na pauta de uma conversa entre o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ), e presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

Num café da manhã, Maia se queixou da concentração de poder em São Paulo e reclamou das negociações em Estados como o Rio de Janeiro e o Espírito Santo.

Sobre o Rio, reclamou do PSDB insistir no lançamento de candidatura própria, em vez de apoiar o verde Fernando Gabeira.

O próprio Serra pediu que o PSDB fluminense suspendesse a operação. Na conversa, Rodrigo defendeu ainda que o PSDB apoie Osmar Dias (PDT) no Paraná e Coutinho na Paraíba.

Sobre o Espírito Santo, alegou que o tucanato não pode exigir que o DEM rompa com o governador Paulo Hartung (PMDB), sem investir no fortalecimento dos democratas no Estado. Uma das propostas seria a de que Rita Camata, hoje no PMDB, se filiasse ao DEM em vez de ir para o PSDB, hipótese que ela cogita.

A própria deputada resiste, no entanto, à ideia.

Maia reclamou ainda da maneira unilateral como é conduzida a costura de palanques pelo país.

28/09/2009 Governo Lula é refratário a metas de clima, diz Marina

ITALO NOGUEIRA

da Folha de S.Paulo, no Rio

Ao participar de uma caminhada com cerca de 500 militantes do partido na zona sul do Rio, a senadora Marina Silva (PV-AC) disse que há "posições refratárias" no governo Lula para a adoção de metas para redução de emissão de gases poluentes.

Ela cobrou que o governo divulgue sua proposta de metas para o clima e defendeu que os países em desenvolvimento tenham compromisso equivalente à metade do que é cobrado dos países desenvolvidos.

"Nós não podemos ser surpreendidos em Copenhague com a proposta brasileira."

Chefes de governo de todo o mundo vão se reunir em dezembro na Dinamarca para definir o novo acordo de proteção do clima.

Ouvindo em diversos momentos o grito "Brasil urgente, Marina presidente", ela afirmou se sentir "honrada" por ser a "pré-candidata prioritária" do PV. Mas afirmou que a candidatura só será decidida em 2010.

Acompanhada do deputado Fernando Gabeira (PV), que obteve quase 70% dos votos na zona sul nas eleições municipais, quando foi derrotado por Eduardo Paes, Marina era disputada por militantes e banhistas que buscavam uma foto.

Na metade da passeata, o vereador verde Alfredo Sirkis pediu para que os gritos de campanha fossem abolidos. "Temos um fiscal do TRE aqui. Campanha presidencial só no ano que vem.

Embarque de PMDB na candidatura Dilma oficializa racha do partido e isola serristas

GABRIELA GUERREIRO

MÁRCIO FALCÃO

da Folha Online, em Brasília

Sem perder a tradição, o PMDB vai seguir rachado em 2010 na disputa pela Presidência da República. Embora a maioria do partido esteja favorável ao embarque do PMDB na candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), a ala que apoia o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), promete tentar reverter o pensamento dos peemedebistas aliados do governo federal até o início de 2010.

A ala serrista do PMDB aposta na queda da candidatura de Dilma para reverter a maioria dos peemedebistas que atualmente apoiam a petista. "Confesso que hoje somos minoritários, a parte governista é bem maior. Mas a Dilma está caindo nas pesquisas Pelo que conheço do PMDB, muitos vão abandonar esse barco", disse o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE).

O parlamentar, que é um dos articuladores do apoio do PMDB a Serra, defendeu que o partido espere antes de definir que vai apoiar Dilma formalmente. Nos bastidores, porém, aliados do presidente licenciado do partido, Michel Temer (PMDB-SP), negociam o anúncio nos próximos dias do apoio a Dilma --o que abre caminho para o presidente da Câmara ser indicado para a vice-presidência na chapa da petista.

"Essa definição poderia ser mais adiante. Ponderamos para o presidente Temer que isso atropelava os fatos. O PMDB sempre foi isso, teve essa divisão. Há um açodamento do PMDB em fechar essa aliança", afirmou.

Um dos articuladores do nome de Temer na chapa de Dilma disse à Folha Online acreditar que a legenda, ao formular o apoio da Dilma, vai selar o racha interno já previsto para 2010. Apesar do risco, os "dilmistas" têm pressa em meio à pressão do Palácio do Planalto para garantir o apoio do PMDB no ano que vem.

O presidente do PT, Ricardo Berzoini (SP), reconhece que o apoio dos peemedebistas é importante para qualquer candidato que disputa as eleições. Mas admite que o PT, se conseguir compor chapa com o PMDB, não terá a totalidade do partido ao seu lado nos Estados.

"O PMDB sempre foi um partido que se apresentou nas eleições dividido. Sabemos que há setores do PMDB na Câmara e no Senado que não têm compromisso com a coalizão em torno do governo federal. Dificilmente 100% do partido vai para as eleições do ano que vem com o presidente Lula", afirmou Berzoini.

Apesar de reconhecer o esperado racha dos peemedebistas, o presidente do PT defendeu pressa para a oficialização da aliança com o PMDB em 2010. "Se pudermos consolidar rapidamente [a aliança], melhor. Mas desde que seja realista e factível", disse o petista.

Maluf elogia Dilma, Serra e Ciro e diz que Marina deveria tentar ser governadora do Acre

Haroldo Ceravolo Sereza - Do UOL Notícias
O deputado federal Paulo Maluf, presidente do PP de São Paulo e uma das principais lideranças do seu partido, elogiou três pré-candidatos a presidente da República: Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Ciro Gomes (PSB). Mas criticou duramente a senadora Marina Silva (PV).

Para ele, Marina foi recebida com "oba-oba" pela mídia, mas tem pouco a oferecer além do discurso verde. "Quais são as ideias dela da saúde pública? Quais são as ideias dela da educação, do transporte coletivo, dos metrôs, da estrada de ferro, do pré-sal?", disse, em entrevista ao UOL Notícias.

Para ele, Marina deveria tentar antes ser governadora do Acre. "Seria uma boa experiência para ela. Um Estado pequenininho, dos mais pobres do Brasil, para ela começar a cartilha. Não pode começar a cartilha na engenharia, tem que começar a cartilha no primeiro primário."

Formado em engenharia, Maluf disse que, quase que certamente, voltará a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados por São Paulo em 2010.

Maluf chegou à Câmara com 739.827 votos em 2006, a maior no ano do país em números absolutos, depois de uma série de candidaturas a cargos majoritários - Maluf foi candidato a presidente em 1989, a governador em 1990, 1998 e 2002 e a prefeito em 1992, única em que foi eleito pelo voto direito.

A candidatura à Câmara foi vista como uma tentativa de levar os processos a que responde para o foro privilegiado do Supremo Tribunal Federal. Na entrevista, ele negou essa estratégia e criticou o bloqueio de bens a que estão submetidos seus filhos.

Nesta semana, o STF decidiu desmembrar o inquérito em que estão envolvidos quatro filhos de Maluf, Flávio, Otávio, Lina e Lígia. Eles foram denunciados em 2006 pelo promotor Rodrigo De Grandis por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, mas ainda não são réus, e vão responder ao processo na primeira instância. Maluf e Sylvia continuam respondendo no STF.

Leia abaixo os principais trechos da entrevista, em que Maluf fala também sobre a duplicação das Marginais e comenta a declaração de Lula de que em 2010 não concorrerá ao cargo de presidente da República nenhum "troglodita de direita" - para Maluf, a fala não se dirigia a ninguém que disputou a Presidência em 1989, nem a ele, nem a Fernando Collor, nem a Ronaldo Caiado, tradicionalmente apontados como candidatos à direita na disputa.

27 de set. de 2009

Para marqueteiros, campanha na internet deve buscar interação com eleitor

Reforma eleitoral aprovada pelo Congresso liberou uso da internet.
Candidato poderá participar de debates na web e receber doação on line.

Maria Angélica Oliveira
Do G1, em São Paulo

Na próxima campanha eleitoral, é possível que você acompanhe debates pela internet, seja convidado a participar de alguma comunidade virtual criada por um comitê para discutir a criação de empregos ou a preservação do meio ambiente, acompanhe o dia-a-dia de seu candidato por blogs ou pelo Twitter e faça doações on line com seu cartão de crédito.

A liberdade na utilização da internet – que possibilita essas e muitas outras ações – faz parte da reforma eleitoral aprovada pelo Congresso. Para entrar em vigor nas próximas eleições, o projeto deve ser sancionado e publicado no Diário Oficial até o próximo dia 3 de outubro, exatamente um ano antes das eleições de 2010, quando serão escolhidos o presidente da República, governadores, senadores e deputados federais, estaduais e distritais.

O G1 ouviu marqueteiros para saber o que muda nas eleições com um novo mundo a ser explorado em sites de relacionamento, blogs, e-mails e outras ferramentas de comunicação. Em vez de soluções complexas, eles citam o básico: interação e boas ideias.

“Como a campanha do Obama na internet foi muito comentada na mídia impressa, na mídia televisiva, mídias que tradicionalmente os políticos acompanham, acho que todos vão buscar se comunicar através da internet. [Mas] a verdade é a seguinte: a mais digitalizada das mídias ou um simples folhetim pra se distribuir em um pedágio se não tiver uma grande ideia, não acontece nada”, diz o publicitário Washington Olivetto, que não faz campanhas políticas.

Aliás, para quem pretende se espelhar na campanha do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, “case” de sucesso com dois milhões de perfis de usuários no site oficial e US$ 500 milhões arrecadados pela internet, um lembrete: a estratégia da campanha virtual de Obama começou a ser desenhada dois anos antes da eleição.
Foto: Divulgação Cesar Paz, presidente da Associação Brasileira das Agências Digitais (Foto: Divulgação)E, para quem pretende ser candidato, um alerta: comunicação on line “não é criar um perfil no Twitter e sair twittando”, diz o presidente da Associação Brasileira de Agências Digitais (Abradi), Cesar Paz.

Para imaginar como seria uma boa campanha eleitoral na internet, é preciso primeiro entender as diferenças entre a comunicação on line e a comunicação nos meios tradicionais, como televisão e rádio.

O publicitário Raul Cruz Lima cita uma lição básica a ser aprendida. “A internet não é um meio de divulgação das coisas, é um meio para relacionamento. As outras mídias são de uma mão só. Na TV, há uma massa de pessoas com quem você tem que falar e elas não têm como interagir. A internet é o contrário”, explica.

Exemplo disso é o Blog do Planalto, criado pela Presidência da República. Logo após sua estreia on line, o site ganhou um “clone” que permite aos visitantes fazer comentários – algo restrito na página original. A falta de interação e o tom oficial foram apontadas por blogueiros ouvidos pelo G1 como pontos fracos do Blog do Planalto.

'Desejo do usuário'

O tipo de interação que se pretende ter também pode ser segmentado. “Hoje o candidato pode conversar com todo mundo buscando interesses. Ele vai numa rede e diz assim: 'Quem é que gosta de corrida de automóvel?'”, exemplifica o publicitário Nelson Biondi.

Mas há um porém. É preciso ter cuidado para que as ações não sejam invasivas. Imagine um banner que atrapalhe a navegação ou uma caixa de e-mail “entupida” de mensagens que você não solicitou? Um “tiro no pé”, segundo o presidente da Abradi.

“Qualquer comunicação que se faça na internet passa por uma lógica muito simples, que é o desejo do usuário. Através da interatividade, ele vai buscar aquilo que interessa (...) a internet não segue a lógica do modelo de propaganda convencional: maior exposição, maior impacto e consequentemente maior conversão”, diz.

'Manifestação do voto'

Em vez de buscar eleitores na internet, o publicitário Nelson Biondi deixou que eles se manifestassem ao pedir colaborações para a campanha à reeleição do prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB), em 2008. E recebeu.

“A gente levou a internet para os programas na televisão, não só chamando para o site como pedindo sugestões, comerciais... A história era a seguinte: era a manifestação do voto. Gravava o filho, o pai. As pessoas mandavam e alguns a gente punha no ar, na TV. Foi um sucesso”, diz.

É o tipo de ação que faz as pessoas se sentirem importantes em uma campanha, como defende o publicitário Raul Cruz Lima, que trabalhou na campanha do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) à prefeitura paulistana, em 2008.

Ele acredita no “poder de multiplicação” da internet. Para Lima, uma boa estratégia é entrar em contato com pessoas que pretendem votar no candidato e aprofundar o relacionamento com elas.

A internet não é um meio de divulgação das coisas, é um meio para relacionamento. As outras mídias são de uma mão só. Na TV, há uma massa de pessoas com quem você tem que falar e elas não têm como interagir. A internet é o contrário” "

“Quando o cara é fanático por uma marca, vira um multiplicador, começa a convencer outras pessoas a comprar aquela marca. Acho que a internet vai seguir esse caminho. É você pegar um grupo, fazer com que as pessoas multipliquem as coisas com amigos, parentes”, diz.

Doações

A utilização da internet para doações não é vista com muita expectativa pelos publicitários ouvidos pelo G1. Para Nelson Biondi, a melhor estratégia será utilizar o dinheiro arrecadado on line para investir na campanha de TV e rádio. No entanto, ele pondera, haverá dificuldade em obter contribuições devido ao perfil do eleitor brasileiro.

“O acesso à internet no Brasil dá-se quase a metade pela lan house. Eu não acho que o cara que senta em uma lan house e paga para usar a internet nesse período vai ali sentar e fazer doação. Ele paga R$ 10 pra ficar uma hora e vai dar R$ 10 de doação?", questiona.

Para Washington Olivetto, que comanda a agência W/Brasil, não será tão fácil convencer o “eleitor comum” a contribuir para as campanhas.

“Acho bem mais difícil. Pode acontecer em partidos com características mais ideológicas. Por exemplo, como foi o PT durante anos e já não é mais. Nos Estados Unidos, isso ficou mais claro porque a decisão entre democratas e republicanos é claramente ideológica, e essa cultura é fortemente estabelecida. Nós não temos uma forte cultura de partidos.”